sexta-feira, 19 de junho de 2020

Participação da equipa (Raid da Costa Atlântica)

 

Representação a cargo de:
47,10km - David Gonçalves
118,60km - Vítor Guerra
181,46km - Pedro Lourenço
321,88km - João Guerra 
519,95km (completo) - João Valério

Ainda que em tempos de pandemia, lá consegui organizar e levar a cabo +1 travessia anual de btt... com a mochila às costas e os habituais comparsas para a comemoração do 10.º aniversário de travessias deste grupo. Este ano com a participação inopinada de alguns elementos do Clube de BTT Zona 55, que realizaram algumas etapas completas e/ou parcialmente.

Antecipadamente peço desculpa pela enormidade de fotografias mas... os olhos também comem!

   Etapa #1 versão Abrantes/Fátima (57,87km c/ 999D+) 
 Etapa #1 versão Santarém/Fátima (50,60km c/ 1.164D+)

Enquanto eu, João Valério, o Renato Valério e o Anacleto António do ACBTT Fôjo, arrancámos do Parque Urbano de São Lourenço (Abrantes) pelas 09h00. Em simultâneo, o João e o Vítor Guerra acompanhados pelo Pedro Lourenço, saíam de Santarém. Todos com destino a Fátima fora de estrada.

Irei unicamente reportar a etapa Abrantes/Fátima, uma vez que foi a qual realizei. Tomei como base o track Abrantes/Fátima já existente e realizado por alguns bttistas Abrantinos e fiz-lhe algumas alterações para o fazer passar por locais mais interessantes. Este ano a mochila pesava 8kg certinhos. 

Com apenas 6km percorridos os problemas começaram. O pneu da frente do Anacleto começou a esvaziar lentamente e tivemos de parar diversas vezes para o encher, até que ao km17 tivemos mesmo de montar uma nova camara de ar para podermos avançar sem mais paragens. 


De início o track levou-nos até à Vila de Constância, percorrendo algumas partes do percurso já assinalado do "Caminho do Tejo" (margem Norte). Após isso tomámos uma direção diferente.


Ao longo de todo o dia o sol brilhou e os trilhos não ofereceram quaisquer complicações.


Ao chegarmos à localidade de Moreiras Grandes (Torres Novas), o David Gonçalves juntou-se a nós, engrossando o grupo para 4 elementos. 


A passagem junto dos Moinhos da Pena e a entrada na Serra de Aire através da localidade do Bairro, foram os pontos interessantes da etapa.


A parte mais dura estava reservada para o final, quando às portas de Fátima tivemos pela frente umas subidinhas dignas do nome... e logo numa altura em que o calor mais apertava.


À chegada a Fátima já o grupo vindo de Santarém havia chegado há uns minutos. Reunimos no Restaurante Churrasqueira Lebre, onde almoçámos já um pouco fora de horas. O nosso retiro "espiritual" de descanso escolhido foi o Hotel Aleluia, ali a escassas centenas de metros.

Ao final desta 1.ª etapa, o Vítor Guerra e o David Gonçalves despediram-se do grupo por alguns dias.

Etapa #2 - Fátima/Nazaré (50,29km c/ 1.246D+)

O segundo dia de aventura contou com 5 elementos e levou-nos desde Fátima até à Nazaré, com duas zonas distintas onde fomos obrigados a percorrer algumas centenas de metros apeados.


Percorremos na sua grande parte o ainda jovem trilho marcado designado por "Caminho do Mar", que liga Nazaré/Fátima, com algumas alterações de moi même que na parte final se revelaram más opções.



O primeiro ponto de passagem com interesse foi a aldeia de Pia do Urso, onde nos cruzámos com alguns bttistas.


À medida que nos aproximávamos de Porto de Mós, o ritmo foi baixando em proporção com os trilhos íngremes e não cicláveis com que nos deparámos, levando a levarmos as bikes à mão muitas vezes.


Só voltámos a montar após cruzarmos a crista da Serra de Aire e a Ecopista. 


O terreno pejado de rochas que compõem os trilhos nesta zona da montanha nem a descer nos permitiu montar, ainda que a grande maioria do grupo seja bastante destemida. 


A paragem para almoço foi na localidade de Pedreiras, no sopé da montanha, onde aproveitámos para recuperar energias. Felizmente tinham um bom stock de isotónico.



Após o almoço os trilhos não apresentaram grandes dificuldades, o que nos permitiu impor um ritmo certinho e recuperar algum do tempo perdido na serra. 


A escassos kms do final ficámos literalmente atascados na areia. Na tentativa de fazer uma passagem mais rápida e interessante por esta zona, acabei por criar um track bem mais complicado do que imaginava. 


Após diversas centenas de metros de complicações e atrasos devido ao piso extremamente arenoso, o que nos atrasou além do planeado, lá chegámos ao Sítio da Nazaré onde voltámos a encontrar asfalto. 



Uma etapa fantástica da montanha à praia, com diversos tipos de pisos pela frente, mas que todos ultrapassámos da melhor forma possível e sem problemas a registar.

Etapa #3 - Nazaré/Peniche (80,57km c/ 1.308D+)


O 3.º dia levou-nos sempre junto à costa, onde começámos logo por descer degraus em calçada na ligação Sítio/Nazaré.


A fase inicial foi em patamar, que serviu para aquecermos as pernas.


Após cruzarmos a foz do Rio Alcoa passámos para uma zona de estradas rurais, largas e de piso rijo.


Bem próximos ao mar, mas sem o vermos, lá fomos seguindo entre serra e arbustos. Mesmo sem grande dificuldades o Renato conseguiu cair num drop ardiloso.



Sempre com o sol por companhia, o trilho levou-nos a zonas com vistas e passagens fantásticas, por vezes escarpados e rochosos.



Aproveitámos um trilho já existente junto à costa, desconhecido de muitos, até mesmo do nosso colega de equipa Pedro que conhece bem a região. Penso que este percurso é conhecido por trilho da sardinha.


Na aproximação a São Martinho do Porto, tempo para tirarmos um foto de grupo (incompleto).



Excelentes trilhos e paisagens igualmente de top mundial ao realizarmos o perímetro da Lagoa de Óbidos. Single tracks, estradões, drops... de tudo e para todos os gostos.


De quando em vez lá fomos pedalando por bonitas pontes de madeira para ultrapassar pequenas "línguas" de água da lagoa.


A aproximação à Praia d'El Rei fizemos uns quilómetros em ciclovia que nos "vazou" novamente para algumas extensões de areia impossíveis de ultrapassar a pedalar.


Já atrasados para o almoço lá chegámos ao nosso final da etapa, desta feita situada em Peniche, após uma volta completa no interior da ilha do Baleal. O Pedro abandonou o restante grupo por aqui, tendo ficado reduzido a 4 elementos (2 do Clube de BTT Zona 55 e 2 da Associação de Ciclismo e BTT do Fôjo).

Etapa #4 - Peniche/Ericeira (72,42km c/ 1.401D+)


Com o grupo reduzido a 4 elementos, seguimos pelos trilhos junto à costa em redor de todo o perímetro de Peniche. O sol nasceu envergonhado mas estava presente. A brisa marítima matinal já queimava a pele.


Após a saída de Peniche fomos em direção à praia da Consolação, tentando fugir ao asfalto por caminhos agrícolas com piso em bom estado e sem movimento.


Tivemos o privilégio de conhecer e visitar o Forte de Paimogo, após um maior afastamento da costa na zona da localidade de São Bernardino.



Após a praia da Areia Branca, voltámos a afastar-nos da costa só regressando novamente na zona da praia de Porto Dinheiro, face à inexistência de trilhos seguros e/ou não cicláveis.



Novo afastamento para o interior com passagem em Ribamar e Maceira, sempre com subidinhas de fazer suar as estopinhas, para depois voltarmos a descer em grande velocidade até Porto Novo, onde na aproximação ao mar seguimos junto ao leito do Rio Alcabrichel.



De cada vez que seguíamos até junto da costa marítima, a saída era sempre penosa, apresentando-nos enormes inclinações de subida, pois o escarpado não permite a existência de trilhos seguros e, por vezes, nem estradas asfaltadas existem nas imediações.



Até às margens do Rio Sizandro vimos a vida facilitada por poucos sobes e desces, por vezes aproveitando trilhos pedestres e passadiços.




Um dos pontos comuns desta aventura foram os inúmeros locais de passagem de beleza ímpar.




Na aproximação ao local de dormida na Ericeira, após uma descida cheia de adrenalina até junto da praia, tivemos depois pela frente uma enorme escadaria a que seguiu um passagem pelo interior da vila costeira antes de voltarmos a subir a bom subir para conseguirmos chegar às instalações de descanso, desta feita dotadas de piscina que não desperdiçámos.

Etapa #5 - Ericeira/Algés (78.18km c/ 1.693D+)



Recomeçámos com o grupo alargado para 5 elementos e pela frente uns trilhos um pouco turbulentos.




Muitas das zonas, apesar da beleza ímpar, só mesmo com as acompanhantes à mão por singles sinuosos junto à costa, principalmente na Foz do Lizandro e Praia da Samarra, com umas quedas pelo meio. 



Nas arribas já inseridas no Parque Natural Sintra-Cascais, os trilhos eram de suster a respiração e impróprios para quem tem medo de alturas, pois rolámos bem próximos das falésias.




Após passarmos pelas Azenhas do Mar, começámos-mos a afastar da costa em direção a Sintra onde fomos surpreendidos por zona com bastante areia, mais parecendo que continuávamos junto ao mar.


Para chegarmos a Sintra suámos as estopinhas e fomos dos 72m aos 436m de altitude em apenas 6km, encontrando pisos para todos os gostos. No centro histórico de Sintra aproveitámos para almoçar.



De Sintra até ao Guincho foi sempre a descer à bruta, à exceção da subida após a Barragem do Rio da Mula, mas com muita precaução, pois o piso rochoso e os singles no meio de floresta não permitiam descuidos.



De novo junto à costa, os 30 quilómetros finais foram feitos em ciclovias e pela marginal quando não haviam outras hipóteses viáveis. Ainda fomos obrigados a desmontar por funcionários municipais por causa da pandemia, enfim...


Em Carcavelos, o David Gonçalves esperava-nos para fazer connosco o restante percurso. Enquanto isso, o João Guerra, o Vítor Guerra e o Anacleto António davam por terminada a sua prestação nesta aventura, conforme planeado. Os restantes kms até ao Estádio Nacional, onde se situava a nossa meta diária, foram percorridos por ciclovia.

Etapa #6 - Algés/Santarém (113,20km c/ 1.082D+)



Com o grupo reduzido a apenas 2 elementos fizemos-mos à última etapa, por sinal a mais longa de todas elas, porém sem quaisquer dificuldades previstas, uma vez que os quilómetros iniciais ao longo da foz do Rio Tejo, foram feitos totalmente em ciclovias.





Num pulinho percorremos os primeiros 25km que nos levaram até Sacavém, já fora do movimento da cidade, passeando pela marginal e sempre em patamar, pelas zonas mais bonitas de Lisboa. A partir daqui começava o trilho em terra batida.



Entre Póvoa de Santa Iria e Azambuja o trilho foi quase na totalidade por estradas nacionais ou municipais, onde circulámos com bastante trânsito, em especial pesados. Sendo esta uma passagem comum ao Caminho de Fátima, estranhámos não ter sido ainda criada uma faixa reservada, um caminho protegido ou uma alternativa mais segura para todos os caminhantes e ciclistas face à cada maior afluência de peregrinos e aventureiros.



Parámos para almoçar na povoação da Vala do Carregado, onde fomos muitissimamente bem atendidos no Restaurante Katekero. As nossas bicicletas ficaram seguras numa zona interior do restaurante e a simpatia das funcionárias foi simplesmente extraordinária. O dia estava bastante quente e tivemos de refrescar os motores com uma fresquinhas ali mesmo ao lado da Central do Carregado onde já trabalhei.




Seguiram-se quilómetros de calor e paisagens agrícolas, quase sempre sós e sem nos cruzarmos com vivalma. O acumular de horas e kms ia começando a fazer mossa nesta extensa tirada, mas felizmente a inexistência de problemas mecânicos remetia-nos somente para o cansaço físico. 



Após percorridos estradões e estradinhas tipicamente ribatejanos, finalmente conseguimos cumprir o nosso objetivo. O pó das estradas em terra batida foi-nos embaraçando a vista e a respiração, mas a perseverança é o nome do meio deste grupo.

Etapa #7 - Santarém/Rossio ao Sul do Tejo (67,82km c/ 692D+)

À semelhança dos dias anteriores, levantámos-mos cedinho e fomos "largados" pelo nosso anfitrião no meio de Santarém. Num repente estávamos a entrar num estradão pelo meio de campos agrícolas a perder de vista mas, ainda nem 8km havíamos percorrido desta última etapa quando fomos obrigados a abandonar. A escora esquerda do meu quadro Cannondale rachou, separando-se por completo e colocou um fim ao nosso desafio 2020! Valeu-nos a ajuda do sócio Pedro Silva que teve a simpatia e disponibilidade para nos transportar. 



Após meses sem bicicleta e haver reclamado o meu quadro Cannondale, finalmente e já em Abril de 2021 a dupla pôde regressar ao ponto onde havíamos desistido em 2020, prontos para cumprir a etapa Santarém/Abrantes numa tirada de apenas 60km.



O trilho revela-se em estradões e trilhos em patamar a perder de vista. Rapidamente chegámos à terra que viu nascer o nomeado escritor José Saramago, Azinhaga, onde aproveitámos para sacar umas fotos junto de um monumento a ele dedicado. Daqui até à Golegã o caminho foi comum a estradas nacionais, ora alcatrão, ora calçada, tendo nós aproveitado para seguir a fundo com médias a rondar os 30km/h.


Após a Golegã rumámos em direção à Quinta da Cardiga, agora por trilhos designados e marcados como Caminho do Tejo, abandonando o Caminho de Fátima, cuja próxima paragem nos levou a Vila Nova da Barquinha.



Os últimos 25 quilómetros levaram-nos a trilhos já nossos conhecidos, aqui sempre com o Rio Tejo ao lado, com passagem pelo Castelo de Almourol. Em Constância (Norte) atravessámos a ponte para a outra Constância (Sul). Dali ao Rossio ao Sul do Tejo foi um pulinho. Finalmente, 10 meses após ter-mos iniciado esta travessia, finalmente pudemos dá-la como concluída e serviu igualmente como treino para o desafio de 2021 a realizar em Junho em Espanha - Costa da Morte, que há-de depois ser aqui também publicada. 

Para os menos atentos, se tiverem interesse em experimentar alguns dos trilhos que realizámos, os tracks estão disponíveis para descarga, basta carregarem sobre os títulos das etapas.


Créditos:

Crónica e Edição: João Valério
Fotos: João Valério e Renato Valério.

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