sábado, 28 de agosto de 2010

Os Trilhos da Maratona (Parte 6)

Mais um treino com fraca adesão por parte dos elementos da equipa. Talvez por ser sábado, talvez por se esperarem temperaturas acima dos 35ºC ou ainda talvez porque se auspiciava um treino sofrido e suado com altímetrias de acumulado de subidas de tirar a língua de fora. Mas lá foram 4 malucos: João Guerra "War", Luís Cancela, Filipe Rodrigues "Jamón" e João Valério "Tufo".

Começámos pouco passava das 09H00 e após um punhado de quilómetros ligeiramente a subir entremeados com uns eloquentes singles, já estávamos a parar. Sangue!? Não. Nada disso! O irreverente Cancela, que não consegue resistir à fruta, mal avistou a amoreira deu logo descanso ao GPS. O Jamón e o War seguiram-lhe os passos e toca borrar as mãos e bocas de vermelho vivo para se presentearem de amoras.


Passados 10 minutos lá nos voltámos a fazer aos trilhos, pois a nossa missão era dar uns retoques nos 60kms da nossa 1.ª Maratona, retoques que viriam a ser de grande monta, alterando bastante a matriz inicial.


Por enquanto o calor ainda não fazia mal a ninguém, mas o bidon já ia a meio.


Más notícias: o Cancela revelara que se esquecera de colocar o GPS a carregar e que a bateria concerteza não iria aguentar até final do treino. A manhã de trabalho já se auspiciava inglória...

Para se flagelar face ao esquecimento que teve, o Cancela decidiu arrefecer os ânimos...

Os restantes, julgando que se tratava de um tanque dos desejos, apressaram-se a examinar o fundo do antigo tanque comunitário na expectativa de encontrarem uma ou outra moedinha para ajudar nas contas da oficina.

Moedas nada, o que o Tufo já havia arranjado tinha sido a perda da bolsa da máquina fotográfica.

A máquina fotográfica, de seu nome "Benq", também não estava a ajudar à festa: a janela obturadora ficava sempre com um cantinho por abrir! Na realidade até aplicava naturalmente um efeito meio estranho às fotos.

Começámos então uma desenfreada pedalada aproveitando a zona de piso rolante.


Finalmente atingíramos os Moinhos da Pena, uma das bonitas zonas que os nossos participantes terão o prazer de vir a conhecer. Dois destes moinhos encontram-se mesmo restaurados e adaptados à pernoita turística.

Lá está o tal efeito parvo que a máquina fotográfica teimava fazer. Ainda por cima em mãos alheias...

O papa-fruta voltava ao ataque! Agora eram figos.

Mais um "rabo" no track do GPS e lá voltámos à luta, agora na direcção das eólicas.

Andamento a gosto... e sem pedras!


Veeeeeeeeeuuuammmmmmmmmm, faziam as hélices...
"... ai qu'eu não m'aguento!" - dizia o Tufo.

Tão ver lá ao fundo? É onde está o almoço. E ainda não o ganhámos hoje!

Uma paragem nas bombas de carburante havia-nos deixado de rastos psicologicamente: os €2 do War tinham sido insuficientes para uma rodada de minis, que num repente bad vibe lá foi dizendo: " - Não há minis p'a ninguém. Ou café ou nada! E se for uma garrafa de litro e meio?" Valeu ao Tufo o poder de persuasão do Jamón, que conseguiu uma gorja de €0,20 de uma cliente para juntar ao troco do War e que ainda deu para uma mini dividida entre uns amassos do Tufo e um beijo repenicado do Cancela.

Agora era chegada a hora de sofrer. Pedra e mais pedra, tracção zero e inclinação além do qb.

Ao fundo as antenas da Serra de Aire e no ar criavam-se dúvidas quanto a "seguir em frente" com a ideia de sujeitar os participantes a tão angustiante esforço na senda de alcançar o ponto mais alto da serra.

A água já mal dava para molhar a boca e pontos de água, agora, só após a descida da serra após a passagem junto às antenas, cuja tarefa ainda estava longe de ver-mos cumprida.

"- Mas esta gaita nunca mais pára de subir? Isto não está mais inclinado?" Já o relógio marcava 13H00.

Finalmente... puff, puff... chegámos às antenas. O Tufo, com falinhas mansas lá "enrolou" o rapaz da torre de vigia ali situada, limpando-lhe quase 1/2 torta de chocolate, 1 litro de água fresca e 0,75 litros de Coca-Cola, do armazém do rapaz, que prontamente foi equiparado a um oásis no meio do deserto.

E agora quem é tinha vontade de ir serra abaixo com o enorme calor que já se fazia sentir, já desgastados fisicamente para fazer face aos exigentes singles empedrados de técnica classe A, não permitindo um mínimo de desatenção aos esfomeados convivas.




Mas o que tem de ser tem muita força. Fazendo das tripas coração lá nos colocámos ao caminho com a certeza de anular definitivamente esta parte do percurso ao mapa inicial, com alguma tristeza à mistura por não conseguirmos encontrar alternativas suficientemente adequadas ao que pretendíamos.

"Ancorámos" agora numa zona de rocha para fazer o "bonito".

O Guerra passou para baixo e nem reparou!

Depois passou para cima e lá se apercebeu que o Cancela estava ali empandeirado a pedir ajuda... ou por outra, a fazer-se passar por vítima, pois cenas de teatro é com ele. Eh pá não se assustem que a coisa foi encenada para a foto. Ninguém se aleijou. A bike e o piloto foram lá "plantados".

E já com a barriga a dar horas, pois o relógio já mostrava 14H00 e a fome apertava, lá nos apressámos a regressar: "- Agora vamos é por estrada que já estou farto de andar em cima da bicicleta hoje!" Queixava-se o Cancela. O Guerra então já nem falava. O Tufo tinha tido uma boa reacção à Coca-Cola mas ainda assim estava murchinho, só o Jamón não se queixava.

Após uns bons kms em asfalto, às portas da cidade de Torres Novas lá nos fomos divertir com um duche "à la gasoliniére". O termómetro marcava 38,5ºC e o relógio 15H20.



Mais uma chuveirada enquanto esperávamos pelo Guerra, que havia decidido tomar de assalto uma vinha e era chegada a hora de percorrer os últimos 4kms dos 68kms que acabaríamos por realizar. Sem dúvida foi um dia duro e serviu os objectivos esperados, ou seja, pôr à prova a nossa prova. Resultado: o traçado dos 60kms foi amputado. De qualquer forma tínhamos já em mente algumas opções. Para quem não gosta de pedra será uma mais-valia no "Dia D".

Reportagem: Texto e Fotos by Tufo

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Zona 55 & TNT na Serra de Sintra

À esquerda, Francisco Esteves (TNT - Todos No Trilho) e à direita, João Valério (Zona 55 Bike Team)

O treininho já havia sido combinado entre nós havia mais de 1 ano, mas só agora foi possível conciliar-mos a nossa agenda. Conforme havíamos combinado aquando o nosso encontro na Vidigueira, iniciámos o percurso em Algueirão e após entrarmos em Sintra já tinha a boca seca só de imaginar as subidas que me esperavam...
Afastei rapidamente a ideia de que o sol seria um problema acrescido mal entrámos nos limites da Serra de Sintra. As enormes sombras da vegetação e a humidade provocada pelo microclima ali existente faz-nos até interrogar em qual estação do ano nos encontramos, tal é a "fresquidão".
Foto dos convivas ainda no lado este da Serra.

Os primeiros kms foram reveladores... subir, subir, subir, parecia não ter fim a subida!

A beleza dos trilhos ajudava a esquecer o enorme acumulado de subidas...

Lá fomos aproveitando para pôr a conversa em dia e também aproveitei para sacar alguma informação ao aventureiro Chico Esteves relativamente ao seu feito deste ano, na realização da Via Algarviana em apenas 3 dias, ligando em largura o Algarve, numa extensão aproximada de 400kms e sensivelmente uns incríveis 9.000 mts. de subidas de acumulado. Esta é sem dúvida a grande aventura que pretendo levar a cabo em 2011.
Finalmente lá descemos, mas como desconhecia os trilhos decidi não "largar os cavalos".


Voltámos a subir. Tanta placa... decidimos não segui-las. Já era quase meio-dia.

O Chico desafiou-me a atingir o lado oeste da Serra, onde disse ter a paisagem mais bonita que eu algum dia havia fotografado. Fiquei empolgado com a promessa... mas era elixir suficiente para me dar forças extras.

Nem foi preciso chegar ao extremo Oeste. Esta zona da Serra já me impressionava pela sua extrema beleza. Que prazer era pedalar por entre tão linda floresta. Fiquei fã destes trilhos, apesar de duros.

Devido à enorme humidade, havia muitas zonas que se apresentavam bastante molhadas e logo escorregadias, ainda por cima com montes de raízes e degraus escorregadios. Cautela era a palavra de ordem.


Paisagem idílica, sem dúvida.

Rapidamente atingimos a zona oeste.

Ao fundo o Cabo da Roca, trouxe-me à memória os idos tempos de motard e as romarias até lá.


O Chico tinha razão. A paisagem era sem dúvidas espectacular!

Caminho de acesso à desactivada Estação Meteorológica, a impôr-se lá no alto.

Ali próximo uma fonte, que apesar de correr pouca água era bem fresquinha.


Decidi aventurar-me até ao interior e analisar de perto a tão bem estruturada fonte.


Esta foto ainda há-de dar um bom quadro!

O Chico havia-me prometido um económico almoço no famoso restaurante "Refúgio do Ciclista", ex-ciclista do Sporting e ex-colega de equipa do saudoso Joaquim Agostinho, mas feita a descida de cerca de 3kms com água na boca e o estômago colado às costas viria-se a revelar decepcionante: estava encerrado para férias! Lá voltámos a subir a Serra e já só com algumas gomas energéticas, lá fiz das tripas coração para regressar a Algueirão. Foi uma excelente forma de passar o dia, apesar dos somente quarenta e tal quilómetros percorridos, tivemos de regressar pois havíamos começado já depois das 10H00 e terminaríamos após as 15H00... sem almoçar. Um muito obrigado ao Francisco Esteves e desde já fica prometido um regresso. Até à próxima.
Reportagem: Fotos e textos por J. Valério

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