domingo, 3 de novembro de 2013

Participação da equipa (Rota dos Castelos)

Organização a cargo do Clube de BTT Zona 55
Participação e apoio aos participantes no percurso:
João Valério, Rui Almeida, João Guerra, David Gonçalves, Carlos António, José Santos (só etapa 1).

Após uma semana com alguma intranquilidade face às previsões do tempo, eis que surge o grande dia, sábado, solarengo e a pedir pedaladas, por isso, rumámos a Constância para aquele que seria a II Rota dos Castelos. Cedo, cedinho, porque era preciso “empacotar” bikes, instalar confortavelmente o pessoal no autocarro e, antes disso, tratar do pequeno-almoço.

Tudo começa e acaba no quartel dos Bombeiros Voluntários de Constância, malta simpática e prestável.
Pequeno-almoço e lá fomos nós no autocarro, sempre com o coração a bater mais forte e a pensar nas meninas que, levadas que foram ao abandono, se fizeram transportar num semirreboque, muito bem acondicionadas por sinal e, no final, imaculadas.

 No autocarro o ambiente era muito simpático com uma ou outra musiquinha popular e uns paços doble pelo meio, “olé”, entretanto lá se ia pondo a conversa em dia.

 Chegados a Gavião lá estava o dito semirreboque já em fase de descarga, a malta da Zona 55 não perdoa, em 15 min as máquinas estavam entregues e prontas a rolar.

 
 
 
10 Minutos de pedaladas e fomos tomar um cafezinho, muito bem presenteado pelo Grupo de Btt Gavionenses, malta simpática que recebeu os inscritos desta aventura e que, com alguma paciência, lá foi servindo cafés à malta ainda embalada pelo sono.

 A partir daí começou a grande aventura, sempre num clima de boa disposição, entreajuda e camaradagem, já se sentia o cheiro dos pinheiros, dos eucaliptos, das giestas, enfim, a natureza que nos entra pelas narinas e nos faz recuar no tempo. 
A descida para Belver permite vislumbrar desde logo a maravilhosa paisagem que íamos encontrar pelo caminho, que acabou por se nota dominante durante todo o passeio e muitos, muitos singletrack´s porreiros pela frente.
Logo após a ponte de Belver sobre o rio Tejo eis a primeira subida, com escadas e tudo, claro está, cada um inventa como pode e outros já faziam cálculos à velocidade com que conseguiriam descer, como se diz na tropa “as inclinações do terreno dependem sempre do ponto de vista”.

Eis que surge o primeiro Castelo altaneiro, um dos mais completos da arquitetura militar medieval Portuguesa, Belver.

 
 
 

Seguimos então para a Barragem de Ortiga com a sua maravilhosa praia. Que vontade dá de parar para apreciar a paisagem. Mas, apesar do clima de descontracção, há que seguir caminho porque o almoço ainda estava longe. Depois de passar a barragem seguimos rumo a Alvega entrando no caminho do Tejo, de facto, uma paisagem maravilhosa, sempre junto do rio, com uns trilhos fantásticos, sentido a aragem do rio, a paisagem que vai alterando entre umas passagens junto aos salgueiros do rio “a maracha” como lhe chamam os pescadores, terrenos áridos e outros cultivados, todo o passeio teve uma vastíssima variedade de paisagem.
 
 
 
  
 
   
Chegados a Abrantes e já com alguma necessidade de “combustível, passamos pelo parque ribeirinho da Aquapolis onde alguns amigos já se refastelavam com uns belos Kebab no Sasha River.
Como guerreiros que somos e para merecer o refastelado almoço, ainda nos faltava a subida ao Castelo de Abrantes, mais um castelo altaneiro, bem durinha a subida, mas, com muita vontade, lá subimos. Confesso que nesta altura já tínhamos percebido muito bem a lógica da guarda dos castelos, capaz de fazer desistir o mais persistente dos Mouros, mas claro está, como almas Lusas que somos, fomos até lá acima, a vista que alguns dos leitores já conhecem é simplesmente deslumbrante. Pelo meio da subida ainda tivemos o nosso primeiro problema técnico da equipa, o David conseguiu entalar a corrente no quadro, são os riscos de quem não larga a talega.

 
 
 
Depois, foi sempre a descer até ao Parque de São Lourenço e, uma vez chegados ao Parque, paramos para um refastelado e bem simpático almoço. Tudo aprumado para recompor as forças. Dois dedos de conversa e, depois de passarem todos os grupos, lá arrancámos. Até este ponto, tudo ok, apenas alguns apoios técnicos pelo caminho, sem qualquer percalço com importância. De salientar que o apoio técnico da Dr.ª Rita e do Gonçalo esteve sempre 5 estrelas, num passeio deste tipo é sempre bom sentir que existe apoio por perto.
Como seria de esperar a tarde foi muito agradável, e, até ao quartel dos bombeiros de Constância, tudo se passou de forma tranquila, passando pelo Zêzere e depois de algumas agradáveis subidas e de algum pavimento betuminoso para descontrair, lá chegamos ao quartel, 75 kms feitos e cerca de 1100 mts de acumulado. Quem ainda tivesse forças e vontade, tinha ao dispor máquina de pressão para lavar a bicla, para a próxima jornada.

Com as equipas todas em “casa”, depois de um descontraído duche, lá fomos nós à procura de abastecimento. Um jantar tranquilo à conversa com os amigos a contar histórias da etapa e sobretudo, com um total espírito de companheirismo e muito divertimento. Muitas histórias para contar das aventuras e desventuras desta paixão que nos une, duas rodas, duas asas.
A noite no quartel também foi tranquila, tudo a preceito para recuperamos forças, mesmo com algumas pedaleiras noturnas que, por falta de óleo, toda a noite insistiram em roncar.

Pelas 6 horas já estávamos de pé, era necessário preparar os pequenos-almoços para que nada faltasse quando a malta se levantasse. Tomado o pequeno-almoço e depois de toda a gente sair bem abastecidos para a etapa que se colocava pela frente, lá fomos nós para mais uma etapa, saindo pelas 8:30 h.

 
 
 Mais uma vez, um dia maravilhoso, sol, sem vento, e muito para pedalar, o verde manto pela frente e o doce sabor do campo que nos refresca a alma e nos devolve a tranquilidade dos loucos afazeres do dia-a-dia. O termómetro da bike (modernices) marcava 19 graus, um dia estupendo que começou,… com uma subida. Claro está, para aquecer nada melhor, tivemos ai o segundo problema técnico, uma equipa a precisar de ajuda que rapidamente se resolveu. Chegamos à Matrena, zona das antigas fábricas de papel junto ao rio Nabão, zona bem interessante e apesar de abandonado não deixa de ser um lugar imponente, a fazer lembrar outros tempos, daqueles em que as fábricas trabalhavam a todo o vapor e que empregavam centenas.

 
 
 
 
 
Continuando pelos trilhos de montanha surgem uns singles bem porreiros junto à Foz do Nabão, daqueles que, nalgumas secções, só estão ao alcance dos verdadeiros consumidores de adrenalina. Confesso que nesta altura a minha roda 29 parecia um semirreboque a fazer manobras na rua da Betesga.
Mais umas pedaladas em plano para descontrair e eis que surgem pela frente uma parede, a subida à barragem, nada melhor para queimar calorias para o almoço. Lá em cima a paisagem é maravilhosa, a majestosa parede de betão que faz parar o rio é um feito extraordinário do Homem.
Seguimos então para a barragem do Cabril onde a paisagem continua a surpreender, numa tranquila e soalheira manhã de domingo passava-se ali uma bela tarde com a família, belo picnic se fazia ali.
Tomar não estava longe, mas ainda nos esperava uns belos singles e a passagem da ponte romana, daquelas cujas pedras já presenciaram a passagem dos mais variados aventureiros, agora em duas rodas que o tempo dos cavalos já lá vai.

 
 
  
Chegados à maravilhosa cidade dos Templários, estava na hora dos cavaleiros se abastecerem, desta feita, na Taverna Antiqua, um lugar verdadeiramente único, onde da decoração às fardas tudo faz lembrar tempos que há muito já lá vão, tudo ali é medieval , ambiente acolhedor e grande descontração. Nesta altura, confesso que cheguei a pensar que poderia existir uma rutura do radiador, tal foi o nível de hidratação das boas bebidas ali servidas, de qualquer forma, com conta peso e medida, porque a tarde ainda reservava muitos quilómetros.

 
  
 
O almoço foi muito agradável, com petiscos típicos da época e com uma bela sopa de favas para ganhar força. Após refastelado almoço nada melhor que uma subidinha, agora, ao Convento de Cristo, ex-líbris da cidade, património da Mundial e que em tempos que já lá vão pertenceu à Ordem dos Templários, é nesta altura que, depois de tanto esforço, também nós nos sentimos um pouco heróis do dia. Seguimos então junto do aqueduto de Pegões, mais uma daquelas obras do Homem que vale a pena apreciar, por todo o seu esplendor servia à data para abastecer de água o Convento. 

Após alguns quilómetros com a Serra d´Aire pela frente e pouco antes dos famosos moinhos da Pena, surgem mais uns magníficos singles, deste feita, com muita pedra, agora sim mesmo ao jeito da roda 29, muita técnica muita velocidade e… agarra-te ao guiador!


 
 Passamos o rio Almonda e chegados a Torres Novas fizemos uma paragem técnica para abastecer de água e comer qualquer coisa, porque ainda vinha aí umas subidinhas. Passando o Entroncamento entramos no Parque do Bonito, e que bonito que ele é, mais uns trilhos técnicos muito agradáveis lá fomos andando, com a miragem ao fundo, sim, mais uma vez, lá estava o Oásis do deserto, a Dr.ª Rita e o Gonçalo, com umas broas que tão bem retemperaram as forças que nesta altura já começavam a faltar.

Uns quilómetros volvidos e entramos no trilho da Lampreia já em Tancos, com mais uns single porreiros, já com o sol a insistir em sumir-se para o merecido descanso, porque, ao longo de todo o dia, fez questão de acompanhar a malta.

Chegados a Constância, voltamos ao quartel dos Bombeiros, agora definitivamente já com o sentido de missão cumprida e com uma verdadeira aventura para contar.
Foram dois dias de verdadeiro espírito de BTT, na companhia dos amigos, sentido os aromas doces do campo, pedalando a plenos pulmões e sentindo que são estes momentos que nos deixam prontos para mais uma semana se afazeres. Para o ano há mais. Para o ano lá estaremos!

O rescaldo alargado no blogue oficial deste evento com fotos, links diversos e outras informações, nesta 2.ª edição deste evento guiado por GPS e organizado pela nossa equipa: rotadoscastelosbtt.blogspot.pt


Créditos à reportagem:
Texto: Pedro Lourenço (integrou a equipa Zona 55)
Fotos: Luís Carlos, Trilhos Sem Fim, Rui Rodrigues, Cláudio Rosa, António Cabaço, Jorge Rabaça, Zona 55
Vídeo: Zona 55 (em elaboração, brevemente disponível).

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