terça-feira, 1 de junho de 2010

Expedição a Santiago de Compostela

Participantes Zona 55 Bike Team: João Valério, Filipe Rodrigues
Organização da Expedição a cargo das Equipas:

Fôjo-Zybex BTT Team, BTT Cabeço das Águias, BTT Moita do Norte e Zona 55 Bike Team.


DADOS REFERENTES:
Distância acusada no GPS: 210 kms
Total Acumulado de Subidas: 3.561 mts.
Total Acumulado de Descidas: 3.337 mts.
Altitude (nível do mar = 0): Desde 1 mt. para 409 mts.
Informação dos trilhos a percorrer, pormenorizadamente. Clicar aqui.

Foto de Grupo do Dia 1 (São Pedro de Rates - Póvoa de Varzim)

Foto de Grupo do Dia 2 (próximo a Paredes de Coura).


Foto de Grupo do Dia 3 (Santiago de Compostela - Espanha)

Reportagens Relativas à Expedição:


- 2.ª REUNIÃO DA ORGANIZAÇÃO -
23MAIO2010 - Aquapolis (Abrantes): Como em tudo na vida, avançamos numa direcção e recuamos noutra. Definido já temos o transporte dos participantes e das bicicletas, uma autocaravana ao qual iremos acrescentar um atrelado fechado que irá acolher as biclas durante as viagens até Esposende, durante as noites e no regresso de Santiago de Compostela. Participantes em bicicleta somos agora 9 confirmados, mas já não temos o Brunheta para condutor... em substituição lá conseguimos o Alfonso que entretanto também já não pode ir. A solução encontrada será em cada um dos dias um dos nove participantes prescindir de andar de bicla para conduzir a autocaravana. Precisamos urgentemente de um condutor de confiança!...


Informações GPS.









Os dorsais que ostentaremos, idealizados por João Valério e realizados/oferecidos pela firma X-Deco, apresentam o nome do participante centrado entre 2 cruzes de Santiago, com a referência ao evento na parte superior e o nome da equipa do bttista sobre o nome. Na parte inferior estão representados os logotipos das 4 equipas representadas nesta aventura, encontrando-se ao centro dos mesmos o logotipo do patrocinador.

27MAIO2010 - Aproxima-se rapidamente o dia do início da aventura e "as peças" estão finalmente a encaixar. Já temos garantido o Zé Lourenço para conduzir a autocaravana e o respectivo atrelado fechado, bem como os frontais já estão prontos. O material suplente também já está assegurado, sendo levado à consignação através de acordo com a loja JTT, além de ferramentas próprias diversas. Computador portátil, cabos de ligação diversos, leitores de cartões, adaptadores bluetooth e máquinas fotográficas já temos para levar-mos a cabo as reportagens diárias, mas vamos ver se será possível... fica-nos a faltar ainda uma camera de filmar on-board, que nos daria um jeitão. Listamos agora os utensílios de cozinha e a seguir serão os produtos de consumo.

01JUNHO2010 - O nosso condutor oficial, José Lourenço e eu, João Valério, fomos hoje buscar a autocaravana para o nosso "estaleiro" logo a seguir ao almoço, a fim de testar-mos o sistema eléctrico, verificar-mos as capacidades de armazenamento e atestar-mos os depósitos. O Atrelado já o tínhamos em nosso poder. Sorte haver elementos disponíveis durante o dia para cumprir com estes afazeres.





Durante a tarde testámos a melhor forma de armazenamento no atrelado e na autocaravana de tudo o que achámos que iríamos precisar durante toda a expedição: Equipamentos (vestuário) para uso diário durante o tempo de utilização nas bikes, roupa para uso fora de prova, bicicletas e material sobressalente referente às mesmas, material suplente para o conjunto de veículos, alimentos para todas as refeições, documentação referente aos veículos e bebida para as ocasiões especiais, que esperemos sejam muitas e sem grandes azares!





Ao final do dia, quase todos os participantes já se haviam deslocado até à nossa base, situada no Fôjo, futura sede oficial da equipa Fôjo-Zybex BTT Team, para tomarem o primeiro contacto entre si, uma vez que alguns não se conheciam ainda, bem como, ver os veículos que nos acompanhariam durante a viagem.


Com os devidos agradecimentos, já dados pessoalmente aos proprietários do atrelado e da autocaravana, que desejaram não ser aqui mencionados, queremos agradecer às seguintes empresas os apoios que nos deram: X-Deco - Publicidade (fabricação dos frontais); JTT - Peças para Motos e Bikes (material suplente); Vieira & Graça - Importação e Comercialização de Bicicletas (esponjas e papelões para protecção das bikes durante o transporte); Cremilcar - Comércio de Automóveis (roda sobressalente para o atrelado).

Ao final do dia o Kalhorda e o Santinho ainda testaram a parte superior da autocaravana, para ver se seria uma boa opção para passar as noites que aí viriam... brincalhões!

02JUNHO2010- Finalmente o dia tão esperado! Será hoje que nos faremos ao caminho, fazendo-nos transportar até São Pedro de Rates (Póvoa de Varzim), de onde iniciaremos o percurso em bicicleta, uma vez que os dias disponíveis de alguns participantes não eram suficientes para arrancarmos mais abaixo no mapa, além de que, para a maioria destes, faziam aqui a sua estreia neste tipo de aventura e não sabíamos bem se estaríamos à altura de maior tirada, além de que os Caminhos de Santiago, na zona centro, se encontram actualmente com bastante falta de sinalização.

A Fiat de 2.800cc e 140cv já nos esperava, mas um problema eléctrico no farolim traseiro e a falta de adaptador para a ficha do reboque obrigou o Zé Lourenço e eu (Valério), a começarmos cedo a nossa luta contra o tempo para conseguirmos ter tudo pronto a horas! Com algum jeito e também um pouco de sorte, lá conseguimos ir almoçar já com os problemas solucionados.


Eram 17H00 quando se começaram a juntar as tralhas todas... parecia quase impossível que às 20H00 conseguíssemos ter todo aquele monte de material devidamente acondicionado para partirmos... e ainda faltavam a maior parte dos sacos de roupa de quase todos os participantes e ainda a maior parte dos consumíveis humanos.
A primeira coisa a fazer agora era começar a pôr protecções nas bikes por forma a evitar riscos e quebra de material durante a nossa viagem de cerca de 221kms.

Pelas 18H30 já estavamos quase todos. Começámos então a carregar as bikes, tal como tínhamos testado no dia anterior.


Até agora estava tudo a correr conforme os planos.




Bikes carregadas, agora deslocávamos o atrelado até à estrada para engate na autocaravana.



Por forma a garantir que não "perdíamos" as preciosas bikes pelo caminho, reforçámos o engate!



Parecia que chegava a hora tão esperada de nos colocarmos ao caminho...



...mas afinal ainda não! Um último teste ao sistema de luzes provou que alguma coisa estava mal. O atrelado não tinha luzes do lado esquerdo! Mais uns minutos e resolveu-se o problema.


Finalmente lá partimos. O Zé Lourenço tinha à sua disposição 2 GPS e 1 mapa de estradas para garantir que conseguiria, sem outras ajudas, deslocar-se posteriormente entre os diversos locais de encontros com os bttistas.



A "moral" do pessoal estava lá em cima e o primeiro dia de aventura prometia. Agora íamos testar as ligações via banda larga. Algo lenta, devido a estarmos em deslocação. O grupo prosseguia agora até próximo da Póvoa de Varzim em 2 veículos: 8 na autocaravana e o Miguel Serra e Fernando Marçal noutro veículo ligeiro.


Nuno Ribeiro e Gonçalo Coelho.


Manuel Maia e João Valério.



Renato Valério e Pedro Loureiro.


Próximo a Ovar optámos por fazer uma paragem para verificar como se estava a portar a acomodação das bikes e supervisionar as pressões dos pneus e o estado geral do longo veículo. Foi também aqui que o restante grupo foi apresentado oficialmente ao representante da equipa BTT Moita do Norte, Fernando Marçal, uma vez que era o único companheiro que ainda não conhecíamos, à excepção do Miguel Serra.



Finalmente chegámos a São Pedro de Rates sem complicações mas já um pouco pela noite dentro.


Como a autocarava só comportava dormida para 7 pessoas, 3 teriam de se acomodar em tendas! O Manuel Maia numa individual e o Filipe Rodrigues e João Valério numa dupla.


Um pequeno jardim relvado junto à extensão de saúde de S. Pedro de Rates, serviu-nos de camping.


Já passava da 01H00 e era necessário descansar para acordarmos bem-dispostos para o 1.º dia de aventura. O grupo estava a dar-se muito bem até agora e estavam todos divertidos... até amanhã!



----------ETAPA 1----------

Bom Dia! Os aventureiros acordavam para o 1.º dia oficial de aventura. Tinhamos combinado levantar só às 08H00, mas a claridade do raiar do dia e o muito barulho da passagem de pessoas e veículos na estrada ali junto, misturado com a adrenalina e as necessidades fisiológicas puseram-nos a pé ainda antes das 07H00. Era quinta-feira (feriado).


Enquanto uns estreavam o wc da autocaravana, outros procuravam um estabelecimento para tomar café ou "aliviarem-se" mais à vontade.


Faziam-se as últimas afinações e arrumava-se todo o material.


Foto de grupo junto à Capela de São Pedro de Rates.


Interior da Capela.


Cá fora encontravam-se outros peregrinos. Uns também em bicicletas btt, outros apeados e ainda outros a cavalo.


A nossa 1.ª tirada seria de 93kms e iria-nos levar até Valença. O Miguel, nosso companheiro de viagem e incentivador de realizarmos esta aventura, que para ele seria a 3.ª vez, havía-nos mentido propositadamente dizendo que seriam só 80kms, com o intuito de não nos deixar péssimistas.


Nas ruas havia grande azáfama pois realizavam-se os festejos em honra de Nossa Senhora dos Remédios e como tal já é aqui tradição, os populares enfeitam as ruas da pequena localidade com a feitura de tapetes de flores desenhando figuras, em que toda a população parece estar envolvida, cheios de alegria e boa disposição.


Foi envolvidos nesta grande festa de cores que percorremos assim o primeiro quilómetro de bicicleta.




Reparem na pequena seta amarela no poste e junto à base: eram estas as indicações que tínhamos de seguir e nos dariam a partir daqui a orientação até Santiago de Compostela.






Alguns populares gostaram tanto dos nossos frontais que houve mesmo quem pedisse um para recordação. Outros ainda, liam em alta voz os nossos nomes neles ostentados, à medida que íamos passando.


Estamos no Norte carago: "BEM E SEGUE-ME".




Após sairmos das ruas enfeitadas e ainda dentro da população, paramos para colocarmos nos nossos passaportes (*Credencial do Peregrino) o primeiro carimbo.


* Institui-se (aos interessados) como forma de vir mais tarde a recordar a aventura dos peregrinos, a criação de credenciais do peregrino, que cada um transporta consigo. Nela serão colocados carimbos a testemunhar a nossa passagem pelos diversos locais, disponíveis gratuitamente em quaisquer estabelecimentos de comércio situados junto ao "camino", onde também podem ser adquiridos. Cada credencial, normalmente apelidado de "passaporte", contém alguns dados pessoais do seu portador e é intransmissível, como sejam: nome, n.º de Bilhete de Identidade, local de origem e local de partida do peregrino.


Cumpriramos agora cerca de 1km e começaram as complicações. Com tanta foto que há havia tirado, as pilhas recarregáveis da minha máquina fotográfica já tinham ido... tive de comprar umas alcalinas no 1.º estabelecimento em que carimbámos, cujo carimbo foi um dos mais vistosos que ganhámos. Devido a ter enchido demasiado o pneu traseiro e a não me haver (Valério) apercebido de que tinha uma mossa de pequenas dimensões naquele aro, a roda traseira como que explodiu. Baauuuummmmmm! Pareceu um tiro. O tubeless teve de ser substituído por uma camera de ar. Isto parecia que estava a começar mal...


Lá seguimos caminho com atenção às pequenas setas amarelas, dispostas um pouco por todo o lado e em todas as intersecções que cruzávamos. Sinceramente são raros os eventos btt em que participo que têm tão boas marcações como este simpaticamente apelidado de "camino" por todos os peregrinos.



Finalmente começavamos a circular por caminhos de terra e cruzávamo-nos com os primeiros peregrinos apeados.


A velocidade era de cruzeiro, com uma média horária aproximada de 15km/h.


Foto de grupo junto a uma das muitas capelas que encontrávamos pelo "camino".


Chegada a Barcelos.



Junto ao tão famoso Galo de Barcelos, cuja figura encontrámos multiplicada vezes sem conta e um pouco por toda a cidade. Aproveitámos para colocar mais um carimbo.


A primeira vez que as colocámos às costas. Os degraus e o cotovelo apertado não dava outra hipótese. Reparem noutra pequena seta amarela no muro.


Cruzámo-nos aqui com 2 cavaleiros e o Gonçalo havia parado para me apanhar os óculos. Na imagem um bttista de um outro grupo bastante numeroso de peregrinos da zona de Estarreja.


Eis que chegava mais um azar após cerca de 25kms percorridos: o Pedro Loureiro (K), furou. Aproveitámos para atestar os bidons de água, fornecida por 2 simpáticos indivíduos de uma firma de distribuição localizada ali junto à estrada.


O Filipe procedia à reparação dos cascos do Manel.


Por vezes as pequenas setas amarelas eram substituídas por enormes placas ostentando o símbolo do Santiago (concha pela qual ele bebeu), com a inscrição "Caminho de Santiago".


Havia que aproveitar as diversas fontes de água (fresquinha) que íamos encontrando, para nos refrescarmos e substituir a que levávamos. Aqui tivémos de voltar a substituir a camera de ar do K porque estava a perder ar... parecia que o azar teimava em não nos largar.


Mais uma capela...

O calor começava a apertar e parecia que nunca mais chegávamos ao ponto de encontro estabelecido para o encontro com o Zé e a autocaravana para almoçarmos: Ponte de Lima.


Mas as paisagens deslumbrantes íam-nos fazendo esquecer o calor...



A igreja lá no alto do horizonte significava que teríamos de ir ali passar, pois o caminho passava em tudo o que eram igrejas e capelas!


Bem dito, bem certo!



Túmulos antigos em pedra.


Estes cruzeiros também são uma presença constante ao longo do "camino".


Mais uma fonte... Ponte de Lima é que não havia maneira de aparecer à vista!




Um bonito single track a subir ligeiramente.


Finalmente... faltava somente 1km para terminarmos a 1.ª etapa do dia.





O Rio Lima já se avistava e as bonitas pontes da não menos bonita cidade Ponte de Lima.



Percorremos até Ponte de Lima 54kms, nesta 1.ª etapa, onde chegámos pelas 14H15.


O calor era intenso e convidava a um mergulho no rio, apesar das margens cheias de algas e vegetação e muita areia fina, lá conseguimos chegar à parte sem lismos.

O Zé (motorista), havia aproveitado o tempo de espera para fazer umas compras e já tinha o almoço um pouco adiantado. Comemos uma salada fria e uns enlatados.



A cidade estava em festa e junto às margens encontrava-se este exército romano.


Como ainda tínhamos uma 2.ª etapa para percorrer, ligando Ponte de Lima a Valença, logo após o almoço fizémos algumas afinações nas biclas e pelas 16H30 pusemo-nos de novo ao caminho.


A tarde começara melhor... muitos trilhos com bastantes sombras e um tempo mais fresco.


Encontrámos aqui os trilhos mais técnicos até ao momento.



O trilho levava-nos a transpôr uma ponte em ferro onde uma das margens havia abatido, mas apresentava perigo de maior aos peregrinos.




Mais um ponto para carimbo dos nossos passaportes. Este estabelecimento encontrava-se localizado numa aldeia onde poucas gentes ou nenhumas se viam, sendo simultaneamente mercearia e café, aproveitando a oportunidade, decidimos tomar umas bebidas e substituir as águas dos bidons.





Mais uma das bonitas sinaléticas indicando o Caminho de Santiago.


A Jorbi decidiu voltar a portar-se mal. Numa subida de rocha solta, a chaveta toda bonita e levezinha da KCNC revelou-se definitivamente desadequada para este quadro, devido a possuir uma extensão e uma base muito curta, motivo pela qual, ao ter sido obrigada a grande esforço, a roda escapou-se do encaixe do quadro vindo a fazer saltar tinta da escora e desafinando as mudanças e o travão traseiro. Optei por trocar de chaveta com o Manuel, cuja Be One tinha um quadro mais apropriado à KCNC, ficando eu com a Mavic.

Chegávamos agora a uma zona que se prolongou por alguns quilómetros de trilhos em rocha (por vezes molhada) e sempre a subir, muitas vezes com as meninas às costas.



O Renato, por esta altura, veio também a sofrer uma avaria: o cepo da roda traseira deu o "berro". Mas ainda deu para continuar... até ao último dia (eh eh).






















Já a poucos kms de Valença começámos a encontrar vários outros grupos de bttistas, uns até em autonomia total, mas todos eles bastante simpáticos.





Este ribeiro só eu e o Gonçalo é que tivemos coragem para o atravessar, os restantes descobriram um trilho escondido mesmo ao lado.



Já às portas de Valença, onde cumprimos a 2.ª etapa do 1.º dia de 39kms, tendo chegado pelas 21H00 com o sol a oferecer os derradeiros raios de sol do dia.


Estacionámos a autocaravana e respectivo atrelado junto ao Albergue de Valença, ladeado pelo Quartel dos Bombeiros, onde aproveitámos para lavar as bikes. Surpreendentemente no Albergue não se encontrava ninguém a tomar conta do mesmo, pelo que eram os diversos peregrinos a orientar as camas disponíveis entre si. Lucrámos ainda tomar banho naquelas instalações, onde lá conseguimos uns pequenos espaços na cozinha e junto com outras bikes para deixar as nossas a pernoitar em segurança, enquanto nós pernoitámos tal como na 1.ª noite: uns na autocaravana e outros nas tendas montadas no jardim do Albergue.


À excepção do Filipe, o grupo rumou a um restaurante ali próximo pois a vontade de cozinhar era nenhuma após o 1.º dia em que pedalámos 93kms. Aproveitámos ainda para contar as aventuras do dia. O vinho da casa era um espectáculo (Vilarinho).



----------ETAPA 2----------

Manhã de dia 2 de Junho. São 08H00 e dormimos junto ao Albergue de São Teotónio, em Valença, numa noite sem barulhos que deu para combater o cansaço acumulado dos 93kms do 1.º dia de aventura.

O pequeno-almoço foram uns sumos e umas sandes, mais umas barras energéticas.


O pessoal aproveita para fazer umas últimas afinações.


Partimos às 09H30 para mais um dia de aventura.


Estes são 2 dos símbolos que na parte espanhola nos iriam agora dar a indicação certa.


Hoje faremos a ligação Valença/Pontevedra, numa distância total de aproximadamente 61kms a realizar numa só etapa. O tempo está agradável com uma temperatura amena.


Saímos agora de Valença e percorremos somente algumas centenas de metros até atingirmos a ponte que ligava as margens de Portugal e Espanha. Do outro lado é Tui.



Primeira foto de grupo no país de nuestros hermanos.


Se não fosse o preço da gasolina era troca certa... Suzuki Intruder 1800/Jorbi ISP "Walldone"


Primeira igreja que encontrámos em território espanhol e onde aproveitámos para colocar o primeiro carimbo do dia 2.


No local iam-se acumulando bttistas de diversos grupos mas com o mesmo objectivo.




Junto ao patrono da nossa equipa: São Miguel Arcanjo.


Numa aventura destas não se pode nem se deve correr riscos! Assim, as escadarias eram para descer com as biclas à mão.


Durante alguns quilómetros o "camino" percorreu-se nesta ciclovia.


Finalmente iniciámos os trilhos em terra batida do 2.º dia da expedição.




Paragem para aliviar as águas e meter conversa com outros bttistas peregrinos, mas também para colocação do 2.º carimbo do dia.



Encontrávamos agora a maior localidade espanhola até aqui. Colocação do 3.º carimbo do dia e aproveita-se para beber umas canhas.




Foto de grupo com um peregrino alemão apeado.


Um pastor alemão a cuidar de um cavalo.


As paisagens deslumbrantes continuavam a estar presentes no nosso horizonte.



Dois dos símbolos sempre presentes no "camino", aqui lado-a-lado, a potenciar o seu significado.





Paragem para descanso e roer uns bocadillos empurrados por umas canhas.


Que apetitoso bocadillo!... Nham, nham. Bocadillo é o que chamam em Espanha a um pedaço de pão cacete com conduto dentro, normalmente queijo e presunto frito. O Filipe preferiu substituir o presunto (jamón) por outro conduto, daí ter ficado logo apelidado de jamón.


Mas o caminho estava à nossa espera e não nos podíamos distrair com as horas.





Oportunidade de desfrutar a paisagem com o mar ali bem próximo.






Após uma subida em asfalto que parecia interminável, a meio tivemos a sorte de encontrar uma fonte cuja água era de uma frescura retemperadora.




Mais uma fonte. Sem dúvida para os que apreciam as nascentes e fontes, esta expedição é extremamente rica em diversidade e número.


Agora tínhamos de percorrer uma boa quantidade de kms em asfalto e junto a uma via rápida.








Agora era com alguma frequência que nos cruzávamos com espigueiros (antigas construções que visavam a colocação de cereal para secagem e posterior saída para moagem).



Aqui iniciámos a mudança de terreno terra/rocha.



Onde está o Wally?




Descanso à sombra de uma cerejeira, onde chegámos a provar algumas.



Mais uma fronteira de concellos.


Já mesmo às portas de Pontevedra, colocámos mais um carimbo e emborcámos outra canha.



Finalmente Pontevedra após uma tirada de 64kms, onde chegámos já depois das 15H00. Na foto um mural pintado junto à Estação Ferroviária e Albergue local.


Contávamos poder pernoitar no espaço envolvente ao Albergue de Pontevedra, tal como fizeramos no dia anterior em Valença, mas em Espanha os albergues funcionam de forma diferente, com uma gerência idêntica à de uma pensão ou hotel em Portugal.


No parque de estacionamento ao lado do albergue não era permitido o estacionamento da autocaravana com o respectivo atrelado, só em separado, segundo um funcionário zelador da estação ferroviária e pagando cerca de €0,01/hora. No espaço envolvente e propriedade do albergue também não era possível o estacionamento. Tínhamos um problema!


Aproveitámos para carimbar o passaporte no albergue e com a doação (obrigatória aconselhada) de €1,00, lá tivemos direito a tomar banho. A montagem de tendas no exterior também não estava autorizada! As bicicletas igual: não estavam autorizadas a ser deixadas no espaço envolvente, só em garagem propriedade do albergue com o pagamento de €3 por bike. Se a estes pagamentos adicionasse-mos as dormidas de nós os 10 e o do veículo, só aqui gastaríamos uma pequena fortuna. Resolvemos ir procurar um parque de campismo.


Jamón e Tufo junto ao mapa do Caminho Português de Santiago.

Começámos então a perguntar a pessoas locais onde poderíamos encontrar um parque de campismo em Pontevedra (cidade relativamente grande, com cerca de 81.000 habitantes), mas a maior parte das pessoas a quem perguntávamos revelaram-se de uma antipatia total. Passámos então para a margem norte da cidade e decidimos ir pedir informações ao posto da Polícia Local da cidade.

No posto da Polícia Local de Pontevedra fomos extremamente bem atendidos pelos agentes José Pazos e Jesús Diaz, que não descansaram enquanto não nos conseguiram arranjar um local para pernoitarmos, uma vez que num raio de 20kms não havia um único parque de campismo e o campismo selvagem é proibido em Espanha. Aqui voltamos a deixar o nosso agradecimento a estes dois agentes da autoridade, que inclusivamente ainda nos presentearam com alguns recuerdos daquela força policial, a qual também possui uma equipa de cicloturismo e btt que também já havia feito a mesma aventura que nos encontrávamos a fazer, mas a partir de Valença.


Finalmente o agente José Pazos conseguiu-nos um terreno, propriedade da Parroquia Santiago Peregrino, situada nas traseiras desta igreja, que sendo privado e sendo nós peregrinos, nos foi autorizado estacionamento e montagem das tendas pelo padre responsável, cujo nome já não recordo, a quem também aqui voltamos a agradecer.

Havíamos tido uma enorme sorte e para comemorar o Manel presenteou-nos com uma deliciosa massada. Depois da janta fomos ainda fazer uma caminhada para conhecer alguma coisa da cidade, após o que recolhemos aos aposentos para o merecido descanso que no dia seguinte teríamos mais uma etapa.


----------ETAPA 3----------

Acordámos pelas 08H00 para cumprir a última etapa da aventura que nos havíamos proposto fazer. Começámos por arrumar a tralha e de seguida comer qualquer coisa porque ainda nos esperavam cerca de 65kms para pedalar e não queríamos atrasar-nos muito.



O dia estava o mais "chôcho" desde que começáramos esta maluqueira há 2 dias atrás, um tanto cinzento e ameaçava até cair umas pingas...



O grupo estava com um estado de espírito estranho... um misto de alegria e simultaneamente tristeza.

O Gonçalo assaltou o frigorífico e papou a massa ao Zé, que a estava a guardar para o almoço, depois de ter sobrado do jantar da noite anterior e ninguém a querer guardar.



Foto de grupo frente à igreja da paróquia que tão simpaticamente nos acolheu.


Lá nos despedimos de Pontevedra e dirigiamo-nos a Santiago de Compostela.



Continuavam os bons e bonitos trilhos.



Foi com alguma estranheza que verificámos que o "camino" em terras espanholas não tinha a mesma qualidade de marcações que em Portugal, ou seja, estavam mais distanciadas e algumas um pouco escondidas, apesar das marcações serem mais bonitas.





A primeira parte desta etapa foi sem dúvida fenomenal, pois a beleza dos trilhos era incomparável. Estávamos a fazer médias acima de 20 km/h nos primeiros 10 kms percorridos.







Primeira paragem do dia para carimbar o passaporte e comer quaquer coisa.



Agora era usual este tipo de trilho, uma espécie de caminho rural mas asfaltado, que passava junto a terrenos agrícolas e de bastante vegetação, que nos permitia rolar sem qualquer tipo de dificuldade.



Finalmente voltámos a encontrar terra batida e logo por debaixo de uma bonita latada.



O sol estava envergonhado e já me havia arrependido de ter deixado para o último dia o uso do jersey de manga cava.



Voltámos a parar para carimbar e alguns para largar lastro...



Encontrámos aqui um grupo de bttistas também portugueses (não vimos espanhóis), que já estavam a dar ao dente e de volta das canhas... foi também aqui que ganhei o cognome de Tufo, por não haver feito a depilação sovacal... pois! É que agora bttista que se preze tem de estar livre de quaisquer pêlos, à excepção do cabelo.




Lá voltámos à luta.




Não é bem perceptível, mas ao fundo brotam 3 quedas de água. Zona de passagem de invulgar beleza.




Passagem por uma localidade onde havia festa rija.




Parecia que estávamos na Serra do Buçaco.



Beijinhos lá para casa e para os fãs.








O Filipe era o animador-mor do grupo, sempre bem-disposto e cheio de força.









A chegar a mais uma localidade...


Aqui encontrámos um outro grupo de bttistas, que por coincidência 1 dos elementos havia estado connosco na edição deste ano nos Trilhos do Douro Internacional, em Mogadouro (Bragança) e também conhecia o nosso amigo Chamusco, com quem partilha o gosto pela Cannondale.




Os representantes da Zona 55 no seu melhor.


Já estávamos a sentir falta de uma igreja (eh eh).



A verdadeira foto de família: manos Valério (Renato e João).



O local era tão bonito que tivemos de parar.



O Filipe Jamón estava sempre tratado! Não precisava de comer nem de beber!


À falta da Sagres e da Super Bike emborcámos Estrella Galícia (bebe-se...) e Mahou (que em espanhol se diz "mau") com nome adequado. Os petiscos nesta taberna eram tão apetitosos que tivémos de voltar a encomendar uns bocadillos. Numa mesa ao lado composta por 4 peregrinos alemães apeados, a garrafa 7,5cl de vinho verde já era a 4.ª e a coisa parecia estar para durar...


No interior do tasco. A simpatia dos empregados era directamente equivalente aos preços.




Agora já estávamos a escassos 20kms do final da etapa.



Uma zona bastante divertida em que circulámos por estreitos caminhos no interior de uma pequena população.




Pois é, o sol não queria mesmo nada connosco hoje. Até parecia que estava triste por nos irmos embora...





Disto só apanhámos em Espanha. Um desvio provisório de algumas centenas de metros, cujo motivo ficámos sem saber.





Com o aproximar a Santiago de Compostela, era cada vez mais comum cruzarmo-nos com outros peregrinos. Também há quem percorra os caminhos no seu sentido inverso, neste caso as setas de indicação são azuis, mas só vimos estrangeiros a fazê-lo! É uma ideia a ter em conta numa próxima vez.




Os azares haviam-nos abandonado por completo e desde a 1.ª etapa do 1.º dia que nunca mais tivemos problema algum.


Ao fundo já se avistavam as primeiras habitações de Santiago de Compostela.


Agora tínhamos como que um último prazer, um single track para a foto!









Este foi sem dúvida o maior grupo de peregrinos apeados com que nos cruzámos: mais de 100. Mas tinham por objectivo fazer só os últimos 10kms.




O terror das peregrinas havia chegado: já não bastava o caminho que já haviam cumprido a pé que o Jamón ainda puxou para um pé de dança uma das peregrinas (de meio uso!) ao som da música "Mas quem será o pai da criança?" emitido pelo seu pojante telemóvel.



Havíamos definitivamente transposto as portas de Santiago.


Mas ainda havia um último trilho pelo meio da vegetação.




A escassos metros da Catedral de Santiago de Compostela.

A sinalização agora já era mais caprichada e voltada ao turismo, com marcações metálicas no pavimento.



As ruas estreitas, à medida que progredíamos íam ficando mais atafulhadas de gente.






Pousando para a foto com uma mulher-estátua.



E já estava cumprido o objectivo. Encontrávamo-nos na praça principal da Catedral de Santiago de Compostela.



Todo o grupo participante pousando com outros dois homens-estátua, representando Jesus Cristo e Santiago.


A Catedral estava fechada, pelo que não pudémos visitá-la depois de ter-mos percorrido 220kms.


Chegámos ao fim da maior aventura em termos de extensão, cumprida até agora, por elementos da Zona 55 Bike Team, o que nos deixou bastante orgulhosos.



Foi com alguma tristeza que terminámos a expedição, pois já nos havíamos habituado à condição de peregrinos e sentíamo-nos com vontade de continuar, mas a alguns, certas partes do corpo já pediam descanso.



Agora só faltava cumprir a derradeira acção: ir à "oficina do peregrino" colocar o último cunho e receber o merecido Diploma personalizado.










Tempo total a pedalar: 14H32




Na extensa fila junto ao edifício onde se localiza a Oficina do Peregrino.


O longo tempo de espera dava para tudo...



O Jamón estava obcecado pelo Milka da peregrina da frente!


Discutindo qual o carimbo mais bonito que havíamos recebido ao longo do caminho.



Interior da Oficina do Peregrino.

Aqui, os funcionários da oficina, gratuitamente preenchem a mano o nosso nome em latim, num já pré-preenchido (no computador) Certificado.

Os peregrinos são convidados a depositarem uma doação, não por boca, na maior parte das vezes, mas por um recipiente devidamente identificado e colocado sobre cada balcão.


Eis o aspecto de um Certificado de Peregrino, vista exterior. É um desdobrável de 7 partes, com cerca de 10 cms de altura por 40 cms de comprimento, diversas informações relativas a esta peregrinação na parte exterior e...

...mais algumas na parte interior, que é onde se reservam pequenos campos reservados à aposição dos carimbos ou cunhos (espanhol). Cada peregrino carimba o n.º de espaços que desejar, pois não há qualquer obrigação quanto ao n.º de carimbos, ficando ao critério da cada um. Clicar sobre as imagens para visualizar em tamanho maior.


Este é o Diploma de Peregrino, que tal como o passaporte, são uma recordação pessoal da aventura vivida para cada indivíduo que cumpra uma certa extensão dos "Caminhos de Santiago", uma vez que há diversos caminhos (português, francês, espanhol...) com partidas de variadissímos lugares diferentes da Europa. É só escolher um!


Finalmente encontrámo-nos com a autocaravana e era hora de arrumar a trouxa e voltar a casa, desta feita já com as biclas empacotadas. Foi uma aventura simplesmente fabulosa e inigualável. Para quem nunca o fez, não há que ter medo da distância, pois até o bttista menos habituado a grandes tiradas o faz. O grande desafio é estudar muito bem toda a parte logística de forma a não haver falhas (graves) durante a aventura.




Outro truque é a escolha de um grupo de pessoal que seja divertido e descontraído, além de que têm de ser indivíduos que gostem de rolar em grupo e sem pressas. Ficámos com vontade de fazer outra loucura destas...


Participantes:
Motorista da autocaravana: José Lourenço - parabéns de todo o grupo pelo excelente trabalho e empenho na função, sem ti não teria sido possível esta aventura e de certeza seria difícil encontrar melhor escolha, mas às vezes os recursos de última hora são os melhores!
Bttistas: Manuel Maia - o pau-para-toda-a-obra; João Valério - o cronista; Nuno Ribeiro - o mecânico de serviço; Filipe Rodrigues - o entretainer; Pedro Loureiro - o azarento; Gonçalo Coelho - o reservado; Renato Valério - o brincalhão; Miguel Serra - o homem-mapa; Fernando Marçal - o sofredor.

Para ver aceder ao track GPS de todo o percurso realizado, ver aqui.


Créditos à reportagem:
Fotos: Renato Valério, Fernando Marçal e João Valério. Textos: João Valério
Texto: João Valério

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