domingo, 14 de agosto de 2016

Participação da equipa (Malveira)

Representação a cargo de:
30km - João Valério

Pela primeira vez participei neste evento, apesar de já me haver tentado há uns 2 ou 3 anos atrás e não me correu nada bem. Comecei por seguir as informações fornecidas no site da Fexpomalveira, que informava que a partida seria defronte ao edifício da freguesia da Malveira, mas o meu gps levou-me uns 15 quilómetros ao lado, para a morada da União das Freguesias de Malveira e São Miguel de Alcainça, nesta última povoação. Infelizmente, no site não havia nenhum contato telefónico e a sorte foi que cheguei cedo e encontrei um simpático senhor que seguia para aqueles lados e o qual segui, não tendo visto no caminho uma única placa informativa. Concluí que este evento não é feito a pensar no "pessoal de fora".

Chegado ao local certo, o secretariado estava bem organizado e num instante me despachei. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente um amigo do facebook, o Ricardo Castanhinha e o seu colega de equipa Dionísio Lopes.

Beneficiando das inscrições no próprio dia e local do secretario, a lista de cerca de 150 inscritos veio a ultrapassar os 200 participantes divididos pelas duas distâncias disponibilizadas.

A partida foi dada 4 minutos após as 9h00 e o extenso pelotão partiu coeso e em ritmo brando. 

Como me distraí na conversa, arranquei quase na cauda do pelotão e nem consegui ver a sua cabeça. 

Antes do percurso nos levar para a terra batida, fizemos a tradicional passagem por algumas ruas da localidade anfitriã, a Malveira.  

O Dionísio Lopes, que foi alvo de uma paralisia que lhe afetou ambos as pernas e um dos braços, tinha logo à partida dificuldades em manter um ritmo tão elevado quanto os restantes, mas lá se foi aguentando com a preciosa companhia do Ricardo Castanhinha.

Os primeiros quilómetros, ainda em alcatrão, foram extremamente rápidos e o pelotão partiu-se em diversos grupos, por culpa do carro da Organização que seguia na frente a uma velocidade estonteante e "picado" pelos mais rápidos, esquecendo-se de que levava atrás de si muitas outras dezenas de atletas, numa zona em que ainda nem sequer haviam marcações do percurso. Por sorte consegui colar-me à cauda do 1.º grupo do pelotão.

Na primeira subida em terra batida, após a saída do asfalto, um dos participantes que segui à minha frente desequilibrou-se no momento em que o tentava ultrapassar pela esquerda, caindo para cima de mim e da minha Cannondale, o que fez com que o desviador traseiro deixasse de funcionar. Ainda parei algumas vezes para tentar perceber o motivo, mas sem sucesso fui continuando com apenas 1 mudança.

Ao km7 enganei-me, juntamente com mais algumas dezenas de participantes, pois em vez de olhar para as fitas, limitei-me a seguir os da frente... e logo numa descida longa e em pedra. No regresso e já a subir é que me apercebi da gravidade da avaria no desviador, que deixou de meter mudanças de vez. Lá percebi que o problema estava num parafuso estava torcido e não permitia a mola funcionar bem. Pensei em desistir e, no cimo da subida e de regresso ao local onde passava o percurso, fiz umas 4x cerca de 100 metros para cada lado e pensava "desisto, não desisto", até que o desviador lá deixou colocar uma e outra mudança após eu dar um jeito no parafuso, pelo que pensei que após ter vindo de tão longe para participar, não iria desistir às boas.

Depois de ter perdido uns bons 20 a 30 minutos, percorri muitos quilómetros sem companhia até novamente voltar a encontrar os últimos em prova.

Ao passar num determinado local estava um indivíduo com uma carrinha e uma mesa já meio montada com frutas e líquidos. Tendo-lhe perguntado se podia parar, respondeu que era uma zona de abastecimento mas para a caminhada, um dos muitos eventos integrados na Fexpomalveira e que se realizava neste dia, à semelhança de um trail e de um passeio a cavalo.

Em constante luta com o desviador traseiro, lá me fui aguentando como podia e sempre com o pensamento em terminar custasse o que custasse.

Já de novo integrado num grupo algo extenso, cheguei a uma zona do percurso, comum a ambas as distâncias, ao género de uma pista de XCO, com bastantes curvas e curvinhas muitas vezes afastadas por menos de 1 metro, o que se prolongou por algumas dezenas de metros, a exigir alguma técnica.

Independentemente da destreza, o repentino aglomerar de participantes um pouco à minha frente impedia-me de poder andar mais rápido, nada mais restando que seguir com calma.



Uma diversidade de fitas por todo o lado devido aos diversos eventos em simultâneo: btt (2 distâncias), passeio pedestre, trail e passeio a cavalo, por vezes complicava a rápida e clara leitura do percurso certo a seguir. O percurso esteve sinalizado por placas, pó no chão e também fitas, mas por vezes não haviam fitas, ou por não terem sido colocadas, ou porque haviam sido retiradas por alguém. O certo é que em algumas bifurcações as fitas estavam presas a vegetação rasteira, quase imperceptíveis e noutras só haviam fitas do trail em múltiplas direções.

Por não haver parado na zona de abastecimento destinada ao btt, uns quilómetros atrás e por decisão pessoal, viria mais tarde a pagar caro, pois não levei comigo nada mais além de 2 bidãos de água.

O percurso, no geral, foi bastante agradável, com muitos sobes e desces a quebrar constantemente o ritmo, mas felizmente a temperatura esteve sempre amena e com uma aragem agradável, evitando males maiores.

Ao longo do percurso fui sendo alvo das imensas silvas que pejavam os trilhos e que me iam repelando, deixando-me consecutivamente os braços a pingar sangue e fazendo estragos no meu equipamento.


Ao km35 furei o pneu traseiro, que lá vedou, e logo de seguida furei o pneu da frente, que não vedou, só me apercebendo no momento em que fazia uma curva apertada a descer a boa velocidade. Sorte que a meta não tardou.

Os últimos 6km foram para mim um enorme sacrifício, cheio de fome e já sem líquidos, limitava-me a arrastar a bicicleta com os pneus meio cheios, mas ainda assim atento às paisagens que me rodeavam.

Já próximo à Malveira, fomos entrando e saindo de zonas urbanas, para nos enfiarmos por single tracks desenhados próximos às habitações em terra batida.

Cheguei à meta completamente de rastos, física e psicologicamente. Demorei sensivelmente 3 horas a cumprir 38km dos previstos 32km, digo isto porque não foram tirados tempos, nem houveram classificações e o aumento dos quilómetros foram derivados a enganos no percurso. No final soube mesmo bem umas sandes de carne assada, acompanhadas por água, sumo ou cerveja... eu provei de todas. Em conclusão, este foi um dia em que quase tudo me correu mal, não me deixando saudades.

Tracks oficiais dos percursos do passeio Fexpomalveira 2016

Créditos à reportagem
Texto: João Valério
Fotos: David Martins, João Valério, Ricardo Castanhinha, Sofia Lopes, Tiago Pires.

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