segunda-feira, 9 de junho de 2014

Participação da equipa (Rota Vicentina)

Representação a cargo de:
Filipe Rodrigues e João Valério

A logística começou a ser preparada alguns meses antes, pesquisando-se tracks, formas de transporte para ir até ao local de partida (Tróia) e regressar do local de chegada (Sagres), formas e locais onde dormir, despesas envolvidas, divisão das etapas, formas de carregar a carga, encontrar patrocínios e apoios, formação do grupo, etc, etc, etc...

Para afinar tudo, foram realizadas 2 reuniões, além de inúmeros telefonemas e email's trocados entre todos para se encontrar soluções que agradassem a todos, em especial nas situações relacionadas com despesas comuns. De um grupo inicial de 9 interessados, acabaram por restar apenas 6, devido a incompatibilidades relativas à data, por motivos profissionais, familiares e outros.


Esta travessia serviu também como derradeira prova de fogo para a integração do nosso amigo Samuel Nabiça na equipa Zona 55, mas não só, pois foi igualmente o teste final ao porta-alforges para bicicletas de suspensão total "El Burro" da marca espanhola Joseph and Son, o qual foi ultrapassado com sucesso. Poderão ler/ver o mini-teste publicado por nós na revista Freebike, edição n.º 35, página 28.

Pela primeira vez em 4 anos de travessias, a equipa Zona 55 conseguiu equilibrar o número de representantes com a equipa Fôjo-Zybex, fazendo-se representar com 3 elementos cada uma.

 
 
 
Aproveitando o feriado do 10 de Junho (terça-feira), marcámos o início da 1.ª das três etapas para sábado. Saímos de Abrantes, em cujo concelho moramos a maioria, na sexta-feira ao final do dia e foi o Carlos Fernandes - elemento do Fôjo-Zybex, que se disponibilizou para nos transportar até Setúbal, onde fomos pernoitar ao Blue Coast Hostel. Bem localizado e próximo ao cais de ligação a Tróia. Prima por ser confortável, económico e familiar.

 
O sábado amanheceu solarengo, conforme previsto. Seria o dia da 1.ª etapa. Após um animado e farto pequeno-almoço fizemos o check-out. O Samuel, que pernoitou em casa de familiares, juntou-se então a nós logo à saída do Hostel. Já com o grupo completo demos as primeiras pedaladelas até ao cais, ali próximo, para embarcar no Ferry Boat que nos levaria a atravessar o Rio Sado até Tróia, cujo bilhete de grupo também resultou económico.

 
Partimos de Tróia bastante animados e com um bom ritmo, não sem antes tirarmos a foto da praxe, começando esta primeira fase rolando em asfalto, conforme previsto, o que foi uma grande seca, mas não existe alternativa em terra batida, somente areia. Em pouco tempo chegámos a Comporta e a distração era tanta que mesmo com 3 GPS ninguém se apercebeu da cortada para a direita. Só demos pelo erro uns quilómetros à frente e em vez de voltarmos atrás, decidimos seguir mais um pouco em frente para entrar no trilho que passa pelo meio de arrozais e junto ao canal de irrigação. A opção não foi má e facilmente retornámos ao percurso gravado.

 
Já de novo no trilho, finalmente entrámos em terra batida. com passagem por uma zona de arrozal que nos foi inesquecível, pela paisagem tão diferente daquelas a que estamos habituados. Após isso ainda continuámos por uns bons quilómetros em alcatrão, o que foi uma grande seca, mas que nos fez progredir bastante. Foi sensivelmente ao km40 que, de uma vez por todas, começámos verdadeiramente a aventura, com a entrada definitiva em terra batida, junto a uma pequena povoação dotada de restaurante, porém, como o relógio só marcava 12H00, decidimos continuar, o que se revelou um grande erro. 


 
 
O almoço acabou por se fazer somente à saída de Santiago do Cacém, porque o track nos levou a contornar a cidade por locais sem restauração ou cafés e quando os havia estavam fechados. Após ter-mos ido dos 0mt aos 207mt de altitude em apenas 5km para ali chegar, cometemos diversos erros, entre eles deixámos esgotar a água num dia que o sol esteve bastante forte, connosco a puxar por diversos quilos de carga em constantes sobe-e-desce que não esperávamos tão duros. Fomos servidos que nem reis pelas duas senhoras que fizeram questão em posar para a foto connosco.

 
 
 
Seguiu-se uma tarde mais calma. Com o abandono de uma zona mais interior para o litoral, onde se notou de imediato a diferença pelo ar mais fresco, o terreno também ficou mais plano. Ao km82 demos de caras com a Barragem de Morgavel, muito bonita por sinal e que até então desconhecia por completo a sua existência. É por isto que gosto de fazer travessias! Para conhecer melhor o meu país.


 
 
 
Eram quase 18H00 quando chegámos a Porto Côvo, percorridos sensivelmente 92km. No local decidimos alterar o plano inicial, tendo optado por pernoitar no Parque de Campismo Porto Côvo, dada a sua proximidade da povoação e o custo ser o mesmo. Armámos os iglos e fomos dar um passeio pela localidade, dando-nos ao luxo de jantar num restaurante próximo da praia, o que nos ficou além do orçamento previsto.

 
 
Deitámos às 00H00 e levantámos já passava das 08H00. Arrumámos toda tralha, fizemos o check-out e fomos a pedalar até ao centro de Porto Côvo para tomar um descontraído pequeno-almoço numa conhecida pastelaria. Após isso, fizemos-nos finalmente ao trilho e desde logo junto ao mar, onde aproveitámos para uma foto de grupo. A manhã esteve fresca mas solarenga, mesma apetecível para andar de bike.

 
 
Rapidamente chegámos a Vila Nova de Milfontes, onde tivemos de resolver um problema num pedal SPD porque um dos parafusos havia alargado. Com a engenhoquice do Marco Lopes, resolveu-se o problema facilmente.

 
 
 
 
Mais umas pedaladas e chegámos ao Cabo Sardão. Em contra-sentido seguiam dezenas de motards, participantes do famoso passeio motociclista Portugal de Lés-a-Lés, que simpaticamente nos iam cumprimentando.

 
 
 
 
Ao longo do caminho fomos comendo umas barras, fruta e gel, mas o estômago já precisava de comida a sério! Decidimos então fazer uma pequena paragem numa pequena povoação, já passavam das 11H00, para comer qualquer coisa. Por estas paragens encontrámos mais um pequeno grupo de bttistas portugueses que igualmente se encontravam a fazer uma travessia idêntica.

 
 
 
 
 
 
 
 
Escassos quilómetros passados, atingimos Zambujeira do Mar com o GPS a marcar 50km percorridos. Povoação costeira e muito bonita, com grande diversidade a nível de restauração. Fomos muito bem atendidos e soube bem descansar um pouco do escaldante sol que teimava em nos deitar abaixo, mas a proximidade ao mar com a sua aragem fresca e as bonitas paisagens, davam-nos muito ânimo.

 
 
 
 
 
Após o almoço deparámos-nos com uma agradável surpresa: o track levou-nos a seguir junto um canal de água por diversos kms, até quase mesmo ao final do dia. Entretanto tivemos o 2.º problema do dia. Um dos porta-alforges partiu um apoio ao bater num ferro. Todos ajudaram e com abraçadeiras lá se resolveu mais esta contrariedade.

 
 

 
 
 
A provação da tarde revelou-se na zona de Odeceixe, onde tivemos diversos sobe-e-desces com alguma dificuldade técnica devido às cargas que transportávamos. As paisagens continuaram a ser perfeitas e apesar de alguns afastamentos da orla costeira, tivemos sempre a companhia do canal de água que serve as regas dos campos agrícolas ali existentes. Finalmente chegámos ao Camping Serrão, o parque de campismo mais próximo de Aljezur, percorridos que foram 80km. Dado o seu afastamento da povoação, o nosso cansaço e as excelentes condições do parque, optámos por jantar ali mesmo, cuja opção se revelou bastante inteligente. Após montarmos as tendas, aproveitámos para carregar telemóveis e todos os aparelhos eletrónicos que transportávamos e até, lavar roupa e pô-la a enxugar.

 
 
 
 
 
  
 
Após uma noite que deu para descansar bem, após arrumar as trouxas voltámos ao caminho para completar a 3.ª e última etapa desta nossa travessia , que nos iria levar até Sagres. A primeira parte da manhã foi exigente. Com diversas subidas dignas desse nome. O track levou-nos a subir e descer serras, algo afastadas de povoações e que nos fez praguejar um bom bocado.

 
 
 
  
 
 
Foi na zona da Carrapateira que optámos por almoçar, quando o track nos voltou a trazer para juntos das povoações costeiras. O sol brilhava forte e o corpo pedia comida e descanso. Refastelámos-nos com um grande almoço num restaurante de madeira de apoio à praia e, logicamente que foi bem caro, mas as vistas compensaram!

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A primeira metade da tarde começou por ter um início complicado, mas teve depois veio-se a revelar cheia de bonitas paisagens, apesar de algumas zonas de areia. De cada vez que íamos junto do mar encontrámos bonitas estruturas de miradouro, em paliçadas e madeira, com excelentes vistas sobre o oceano.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na segunda metade da tarde, cruzámos-nos com um enorme grupo de cerca de 30 bttistas aventureiros da equipa Papa Trilhos. Um verdadeiro espírito de grupo bonito de se ver. As paisagens mantiveram-se soberbas e os trilhos bastantes variados, com subidas, descidas e estradões, passagens por áreas de rochas, aldeias e muito mais. Foi após um single de terra vermelha e rochas seguido de uma zona de areia que chegámos ao asfalto que liga à ponta de Sagres com o seu farol, onde tirámos a foto da ordem.

 
 
 
 
 
Conforme tínhamos planeado, após a visita ao Farol seguimos para o Forte de Sagres onde fizemos uma visita e, finalmente, para o Parque de Campismo Orbitur Sagres, para montar as tendas, perfazendo um total de 66km, esta nossa tirada. Infelizmente este foi o parque com as piores condições que encontrámos, pois a época alta ainda não havia começado e assim não havia serviço de restauração. Optámos por jantar na localidade. Na manhã seguinte chegou o nosso transporte, para fazermos de regresso até casa, na Ford Transit do companheiro Carlos Fernandes.


Equipamentos utilizados:
Alforges - utilizados para transportar a grande totalidade do equipamento, vestuário e artigos necessários, ou para dividir carga, pelo Filipe Rodrigues e João Valério

Marcas/modelos de alforges utilizados
Topeak MTS + Porta-alforges El Burro para suspensão total (João Valério)
Massi Panier Bar + Porta-alforges Massi CM10 (Filipe Rodrigues)
Zixtro Facet ZI048 cujo pack já inclui porta-alforge (Marco Lopes)
Plataforma/suporte de alforge M-Wave No Slip (Renato Valério)

Camelbak - utilizadas para transportar pequenos artigos e/ou água, nos casos do Manuel Maia, Filipe Rodrigues e João Valério.

Mochilas - utilizadas pelo Marco Lopes, Renato Valério e Samuel Nabiça para transportar a grande totalidade do equipamento, vestuário e artigos necessários, ou apenas uma parte deles, no caso dos restantes.

Trailer - utilizado pelo Manuel Maia para transportar a grande totalidade do equipamento, vestuário e artigos necessários.


Para quem interessar, aqui fica o track da Travessia BTT Tróia-Sagres.

Créditos à reportagem
Texto: João Valério
Foto: João Valério, Papa Trilhos
Vídeo: Zona 55

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