domingo, 6 de abril de 2014

Participação da equipa (Lagoa do Furadouro)

Representação a cargo de:
35km - João Valério

Para aproveitar a manhã, uma vez que tinha de estar em Torres Novas antes das 13h, decidi inscrever-me neste passeio e Organização que desconhecia por completo, apesar de à partida saber que iria encontrar algumas dificuldades devido ao tipo de terreno (serra, barro e pedra), mas os anunciados 35km de distância única convenceram-me.


Tinha consultado a lista de inscritos no dia anterior e fiquei apreensivo: 50 inscritos (20 pagos e 30 não confirmados). Eu era dos poucos que tinha pago (sem almoço - 6,50€). Depreendi que a Organização permitisse inscrições no próprio dia, o que sucedeu, por isso quando cheguei encontrei a habitual confusão gerada por esta opção. Apesar de chegar cedo ao campo de futebol de Lagoa do Furadouro, já lá haviam quase tantas pessoas quanto o n.º de inscritos divulgado. A fila tinha 10/15 metros e não foi preciso esperar muito para ser atendido no Secretariado mas, quando chegou a minha vez, uma menina já com uma folha de inscrição na mão lá me indicou que tinha de ir à porta ao lado, quando lhe disse que já estava inscrito e pago. Entrei e apresentei-me numa outra porta das mesmas instalações onde estavam 2 rapazes que confirmaram o meu nome, entregando-me em troca o meu dorsal (sem direito a abraçadeiras, saco, ...).

Como já ando nestas coisas há alguns anos, costumo andar prevenido, por isso socorri-me de abraçadeiras que costumo levar comigo e dei ainda algumas a outros amigos que ali encontrei, como foi o caso do Filipe Faria (na foto). A Organização, minutos depois acabaria por começar a distribuir abraçadeiras que finalmente haviam sido trazidas.

Mais uma vez aproveitei que a minha Jorbi estava no estaleiro para testar a minha Cube AMS Pro convertida a 27,5'. Apesar do quadro em alumínio, a suspensão total era mais adequada neste tipo de terreno do que a rígida em carbono. Na foto com o amigo Luís Vicente, também ainda em testes com a sua nova Lapierre 29'.

O amigo e grande entusiasta do btt, Francisco Vigário, na companhia de um seu colega de equipa.

 
O espaço para estacionar foi bastante adequado. Tivemos todo o campo à disposição. O tempo esteve bastante nublado e esperava-se apanhar alguns chuviscos pelo caminho.

Encontrei também a Urbina Varela, uma habitué nas provas btt da zona centro, que acompanha sempre o marido (Luís Antunes), também ele praticante, que tira fotos a todos os participantes e partilha gratuitamente escassas horas depois. Fiquei contente, pois teria material de reportagem garantido, uma vez que a Urbina também costuma colaborar connosco.

 


O pelotão de cerca de 100 participantes, divididos entre 35km cronometrados e 15km guiados, foram-se alinhando na zona de partida. Uma vez que me desloquei sozinho a este passeio, não levava a GoPro e tinha o tempo controlado, decidi aproveitar para dar o meu melhor.

Como estava colocado na frente do pelotão, mesmo ao lado do João Outeiro, que viria a vencer, arranquei na frente. As duas primeiras centenas de metros foram a descer e a trepidação fez com que perdesse o meu bidon logo ali, por culpa minha que, pela 2.ª vez insisti em montar o porta-bidons sob o selim, à semelhança das bikes de triatlo. Com o bidon caído mesmo no meio da estrada, foi com grande dificuldade que o consegui recolher, pois o pelotão descia compacto e a alta velocidade, mas de nada me serviu porque tinha-se partido pela parte da "chupeta". Resultado: fiquei sem líquidos e fiquei na cauda pelotão.

A muita lama, diversos single track's e os constantes sobe e desces iniciais criaram algumas filas e dificuldades aos participantes, o que me permitiu começar desde logo a recuperar alguns lugares.


Depois vieram outras dificuldades. O piso escorregadio passou a ser regular ao longo do percurso, com algumas zonas de lama, poças de água ou somente terreno argiloso que à primeira vista parecia seco e rijo, mas quando inclinávamos o ângulo de ataque nas curvas torna-se complicado segurar a bicla. Muitas foram as vezes que andei a apanhar papéis e a corrigir a trajetória.


Tivemos o prazer de pedalar por paisagens fabulosas, como a da imagem. Ao longo do percurso as marcações estiveram quase sempre a bom nível. Nos poucos cruzamentos com rodovias notou-se alguma falta de pessoal a auxiliar ou de apoio.


As quedas foram às dezenas, pois o piso estava bastante escorregadio conforme já referi antes, mas também devido ao enorme grau de dificuldade técnica exigido em muitas partes do trilho, com passagens bastante íngremes (em terra e/ou rocha), cursos de água e poças, regos abertos pela passagem de água, caminhos agrícolas, etc...


Após uma subida algo exigente tecnicamente, chegámos à 1.ª Zona de Abastecimento, onde aproveitei para guardar 2 garrafas de água em substituição do bidon perdido. Comi também banana e laranja, aproveitando a excelente diversidade de alimentos e bebida disponibilizados.


Sensivelmente ao km15 encontrava-se a "jóia da coroa" da Organização: O Trilho das Eólicas - um single track de grande dificuldade técnica, potenciado pelo piso extremamente escorregadio, que começou num longo e fantástico drop estreito, desde logo a dar-nos sinais de que tínhamos de manter grande concentração para não irmos com os cromados ao chão. Apesar de me considerar um bttista com técnica e ousadia acima da média, nos primeiros 20 metros tive uma hesitação que me obrigou desde logo a apear.


Curti cada metro deste sensacional e perigoso ST. Tive de me aplicar a 100% para conseguir ultrapassar os mais de 1000 metros de extensão seguidos de dificuldades técnicas.




O Trilho das Eólicas pareceu-me prolongar-se por mais de 1km de extensão, ao longo do qual arrisquei por diversas vezes confiante na minha habilidade, tendo-me safado quase sempre bem... caindo uma única vez e numa zona (a da foto) que considerei a mais difícil face ao piso escorregadio, tendo-me a bike fugido debaixo, não caindo ao desfiladeiro só mesmo porque dois outros participantes que tinham ali parado para apreciar as prestações dos restantes que os seguiam lhe terem deitado a mão.



Este foi uma outra zona em que sinceramente julguei não conseguir passar sem cair, devido à extrema inclinação e falta de aderência do terreno, mas consegui!


A minha segunda queda foi um pouco mais à frente, quando numa zona de patamar em ziguezague pelo meio de arbustos, a roda dianteira deu uma escorregadela no "encebado" piso não me dando nenhuma hipótese de conseguir controlar a direção. Felizmente não me aleijei, excepto uns arranhões.

Ainda no Trilho das Eólicas uma zona de passagem onde a Organização construiu uma ponte para permitir a passagem sobre uma área de rochas.

Pouco após terminarmos o extenso e difícil ST, encontrámos a 2.ª Zona de Abastecimento, também muito bem apetrechada, mas que não cheguei a parar. Poucos metros à frente havia uma ponte sobre um pequeno ribeiro onde muitos populares se juntaram para ver passar os bttistas, após o que se seguia uma zona de asfalto seguido de uma picada, ou direi mesmo autêntica parede de inclinação superior a 20%, certamente.

As dificuldades lá continuaram, umas vezes mais que outras, mas quase sempre presentes. No caso da descida da foto, com cerca de 100 metros de extensão e grande inclinação, tivemos de superar piso de terra solta e constantes sucalcos com diversas alterações de trajetória até lá abaixo.

Muitos foram os que não quiseram arriscar e apearam logo no início da descida onde se encontravam alguns membros do staff a dar avisos e conselhos.

Julgo que deverei ter sido dos poucos a ter coragem para enfrentar o desafio e simultaneamente a conseguir completar a descida sem cair, o que me valeu um comentário elogioso quando, no final, uma senhora de idade avançada que se encontrava a assistir, me aplaudiu dizendo: "- Sim senhor, bom trabalho!"


Esta descida foi mesmo aquela que fez mais vítimas de quedas, felizmente todas elas sem resultados graves, porém com acidentes aparatosos que deixou todos os que assistiram incrédulos.




Biker: Micael Sousa | Fotógrafo: Ivo Carmo | Montagem: Jorge Rabaça

Nos últimos 5km as dificuldades não abrandaram, pois voltámos aos sobe e desces, sempre sem hipóteses de rolar ou descansar os braços, onde apanhámos também muitas zonas alagadas.


No final consegui o que considerei um excelente 10.º lugar entre os mais de 80 participantes, alguns dos quais vieram mesmo a desistir. As quase 3h de prova não me deram sequer tempo de lavar a bicicleta nem tomar banho, pois o dever chamava-me.

Quando já estava a lavar a bike apercebi-me de uma enorme cavilha na roda dianteira, que por sorte não me vazou (quase nada) o pneu Rubena Charybdis (tubeless), cujo líquido da Caffe Latex fornecido pela Profbike funcionou na perfeição, evitando um quedão anunciado.

Fiquei fã deste passeio e espero estar presente na próxima edição. Aconselho todos aqueles que adoram um bom desafio à técnica e dureza física com um limite de 35km, que participem também da próxima vez.

CLASSIFICAÇÃO GERAL
01.º - 01:54:08 - João Outeiro (CD Movimento)
02.º - 02:04:55 - António Marques (CI Marrazes)
03.º - 02:05:30 - Carlos Simões (ABC Caxarias)
10.º - 02:45:12 - João Valério (Zona 55 Bike Team)
76.º - 04:15:33 - Último




Álbuns de fotos

Créditos à reportagem:
Texto: João Valério
Fotos: Urbina Varela, Zona 55 (João Valério), Organização.

1 comentário:

Edu disse...

Muy buena ruta la que habéis realizado.IMPRESIONANTE la caída que se ve, y es que el terreno parece que estaba algo peligroso con tanto barro y esas sendas con tanta pendiente. Espero que los accidentados estén bien.

Preciosos los paisajes que por allí tenéis, ¡disfrutadlos!

Saludos y un abrazo de este grupo de ciclistas de Albacete...(http://pedaladasgloberas.blogspot.com.es/)

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