domingo, 27 de setembro de 2015

Participação da equipa (Açores)

Representação a cargo de:
João Guerra, João Valério

Nota: As fotos não estão por ordem cronológica.

Depois de ter visto umas fotos no Facebook, em finais de 2014, relacionadas com este evento nos Açores, fiquei tão deslumbrado com as paisagens que desde logo coloquei como uma aventura a realizar em 2015. O passo seguinte foi arranjar uma parelha. Ao ínicio começámos (Zona 55) por ter 2 pares - João Valério/João Guerra e Pedro Lourenço/David Gonçalves, mas com o passar do tempo a 2.ª equipa de representantes acabou por vingar, assim acabei por formar equipa com o João Guerra.

Depois de alguns contatos ficou finalmente decidida a participação da Zona 55 nos Açores. A equipa total foi composta de 3 elementos, a saber: João Valério e João Guerra (participantes), Jorge Rabaça (captação de imagens e logística). A revista Freebike, com a qual passámos a colaborar regularmente em 2015, apoiou-nos e assim fizemos uma parceria com a Organização do evento, a PRSpinning, ficando a nosso encargo a recolha de fotografias e filmagens, bem como, material para elaboração de uma reportagem a publicar naquela conceituada revista, a publicar na edição n.º 38.

A logística para a prova em si mesma não foi difícil de preparar, pois tratou-se de 2 etapas (+ prólogo) com zonas de abastecimento, não sendo necessário preparar nem transportar material ou suplementos por aí além nos dias da travessia. A preocupação maior foi com a logística relacionada com a viagem propriamente dita, pois tivemos de viajar de avião. As bicicletas foram despachadas 1 semana antes por via marítima (mediante condições gerais da Organização). Coube-me a mim (João Valério) a entrega das bicicletas da equipa Zona 55 no Terminal Marítimo em Santo António dos Cavaleiros. Fui acompanhado pelo João Correia, da equipa GCB (Grupo Cicloturismo Barquinhense), que também se fizeram representar com a dupla João Correia/Pedro Carreira.

  
 
Depois de muito tempo de espera, eis que chegou finalmente a reta final para esta inesquecível travessia. Começou com a nossa viagem até ao Açores. Saí de casa e fui recolhendo os outros elementos ao longo da viagem até ao Aeroporto de Lisboa. Seguiu-se a viagem de avião só com bagagem de mão, pois os restantes haveres foram despachados no interior das caixas de papelão onde enviámos a bikes via marítima. No nosso voo seguiu também o bttista sobejamente conhecido (e Ribatejano) José Silva que iria fazer dupla com a Sandra Araújo.

 
 
 
O nosso primeiro dia (chegámos 5.ª feira, 1 dia antes do prólogo), foi para passearmos, conhecer o centro da cidade de Ponta Delgada, capital da ilha de São Miguel, por sua vez capital do Arquipélago dos Açores. Ficámos alojados no Hotel Ponta Delgada e acreditem que durante a estadia usámos e abusámos da piscina interior aquecida, sauna e banho turco! Além de outras personalidades conhecidas do btt nacional, estava também ali alojado o Carlos Bernardo, meu conterrâneo e bloguista (O Meu Escritório É Lá Fora) em mais uma das suas aventuras pessoais para posterior publicação.

 
Na sexta-feira, dia de prólogo, levantámos cedo e fomos conhecer uma parte da ilha de São Miguel, sendo o nosso guia o João Guerra, que cumpriu 1 ano de serviço militar por estas bandas nos inícios dos anos 90. Optámos por utilizar os transportes públicos e fomos de autocarro até à localidade da Ribeira Grande, onde apesar da chuva (fraca) experimentámos a água que estava quentinha e acabámos por almoçar por ali num restaurante típico e económico. Para terminar a passeata e antes de levar as coisas a sério, fomos até ao local onde estava previsto o levantamento das caixas que trouxeram as nossas bonitas companheiras.

  
 
A meio da tarde fomos até ao edifício do Coliseu Micaelense para o welcome drink e receção aos atletas, onde fomos informados pessoalmente das linhas gerais de como se iria desenrolar todo o evento. Muita gente conhecida do panorama btt nacional. Aproveitámos para cumprimentar algumas das estrelas presentes (Celina Carpinteiro/Isabel Caetano) e também estrangeiros (equipa espanhola - Grupeta 9:30). Após isto, ainda tempo para uma foto com um grupo de Música e Folclore da Baviera. Antes de buscarmos as bikes, ainda tempo para uma foto junto do cartaz do evento, no largo que serviu de partida/meta de cada uma das etapas.

PRÓLOGO
 
 
Com o cair da noite chegou a hora de começarmos finalmente a andar de bicicleta! O nervoso miúdinho apoderou-se de nós. O centro de Ponta Delgada estava pejado de público a querer ver o prólogo (curto: apenas 3,35km) que abria as hostilidades do desafio açoriano. Algumas das principais ruas do centro citadino foram encerradas ao trânsito para a marcada pista urbana. Não nos saímos muito mal, tendo terminado no 113.º lugar entre 190.º duplas participantes. A partida era dada em simultâneo para 2 duplas (4 atletas), cujo percurso era quase todo ele em patamar, com exceção a duas subidas de pouca inclinação, depois era descer e regressar pela marginal onde o vento era o maior inimigo, tudo isto sempre muito bem sinalizado por Polícia e staff. Na zona de partida/meta estava montado um enorme dispositivo de tendas, bancas e outros demais, com speakers e transmissão em direto e em streaming.

1.ª ETAPA
Durante a nossa estadia nos Açores 07h00 foi a hora de levantar. Sábado era o dia mais aguardado por nós para a descarga de adrenalina, pois era a 1.ª etapa. Finalmente íamos conhecer os trilhos dos Açores! Muita gente, uma manhã solarenga junto ao mar, diversão e nervoso miudinho.

Os atletas foram-se colocando na manga de partida, de acordo com a box pré-determinada pela Organização de acordo com a idade e sexo. Vimos algumas caras conhecidas do btt nacional, mas também alguns amigos do pedal de longa data. A partida foi sendo dada para as 200 duplas em prova. Como é hábito no btt, precisámos primeiro fazer alguns quilómetros em alcatrão... e foi sempre, sempre a subir, até entrarmos na terra batida, o que aconteceu perto do km 10, mas continuámos a subir, ora com mais inclinação, ora com menos inclinação.  Porém, há uma ressalva, ao km7, em plena subida de asfalto, uma brincadeira nossa sem graça, em que o João Guerra me agarrou para o rebocar, parti a corrente, o que nos tomou mais de 10 minutos, pois o suor não parava de cair pela cara abaixo, não deixando ver nada de cada vez que me inclinava.

À chegada à terra batida começámos desde logo a ser brindados por paisagens maravilhosas. Tudo muito verde, vacas nos pastos, terrenos ordeiramente divididos, por muros de pedras sobrepostas, vedações de arbustos ou simplesmente por valados em terra. Por vezes o terreno estava demasiado fofo, o que aumentava o esforço nas pernas. Para alguns, a tarefa da subida era tanto mais complicada devido à humidade, altitude e pureza do ar ali existente.

O gráfico altimétrico não havia mentido! Efetivamente era sempre a subir, parecia que íamos a caminho do céu... de bicicleta. Numa zona meio plana, após uma subida duríssima por um trilho lindíssimo, encontrámos a 1.ª zona de abastecimento, muito composta com fruta e outros produtos regionais, mas também com isotónicos e energéticos, simpaticamente oferecidos por simpáticas colaboradoras.

 
 
Finalmente encontrámos uma descida! Mas foram apenas alguns metros e exigindo técnica. A seguir impunha-se a maior e mais longa subida do dia. Apesar de até ali não ter chovido e a temperatura rondar sempre os 23ºC, o certo é que o céu não estava de todo limpo.

Foram alguns (pareceram muitos) quilómetros em alcatrão, com grande inclinação. Uma monotonia ímpar até chegar à 2.ª zona de abastecimento. Já não sabíamos se subir a direito ou em ziguezague. Parecia que a bicicleta estava colada ao chão. À medida que subíamos, o nevoeiro começou a ficar cada vez mais intenso até que começou a chover intensamente... para ajudar. 

 
No ponto mais alto desta 1.ª etapa, aos 945m, deveria ser possível avistar a bonita e luxuriante Lagoa do Fogo, mas só o foi para alguns, pois quando nós passámos o nevoeiro acompanhado de chuva eram tão intensos que acabámos por não ver nada do que nos rodeava. Começámos logo de uma descida de 5km de extensão dos 942m para os 215m, muitíssimo técnica e inclinada, com lama e regos, ainda mais tramada do que a própria subida que acabáramos de concluir.

Rapidamente chegámos à 3.ª zona de abastecimento (pelas minhas contas), já com o povoado lá em baixo a parecer tarefa fácil lá chegar. Encontrámos aqui assistência técnica, mas as nossas bikes portaram-se bem e não precisavam de carinhos. Por outro lado, as pilhas dos nossos GPS's estavam-se a gastar com uma rapidez tremenda e chegámos à meta somente com o do João Guerra a funcionar e gastar as últimas gotas de energia. Terminámos com grande desgaste esta primeira etapa, que se revelou bem mais difícil do que havíamos previsto, por falta de zonas planas para se recuperar o fôlego. A dupla também ficara afetada, pois o esforço e a falta de oxigenação no cérebro levou-nos a discutir diversas vezes ao longo do caminho.


 
A 2.ª Etapa, apesar de ter maior distância (77,50km), prometia menos dor, pois o gráfico parecia ser menos agressivo, mas afinal foi duro igual. Voltámos a ter de subir de rajada os mesmos 10km para largar o asfalto e a zona urbana de Ponta Delgada junto do mar a nível 0 de altitude, para desta vez subir até a um máximo de 845m. Novamente as paisagens deixaram-nos boquiabertos, de uma beleza ímpar e impossível de descrever por palavras. Cada pedala e esforço valeram de facto a pena! 

 
 
 
 
 
 Desta vez fomos para uma outra parte da ilha, com zonas de passagem mais rurais, por entre manadas de vacas e trialeiras estreitas, muita e espessa vegetação com humidade quase a 100%, o céu maioritariamente limpo, temperatura a rondar os 22ºC e por vezes subidas curtas e íngremes.

 
Se no dia anterior a subida asfaltada até ao topo maior foi tramada, a de hoje, em terreno vulcânico, foi uma tarefa árdua, pois quase não tínhamos tração. Uma subida com pouco mais de 500m mas dura. Depois de chegarmos lá em cima, uma vista maravilhosa!

 
 
 
 Durante toda a etapa o comum era sobes e desces constantes, com muita variedade de tipos de terreno, tantos quantas as paisagens que nos iam deixando estupefactos de tanta beleza. A cada inspiração notava-se a pureza do ar envolvo num suave aroma marítimo.

 
 
 

 
 
Na primeira parte da etapa senti-me muito bem. O tempo esteve quase sempre de sol e manteve-se assim praticamente todo o dia. A cada subida descobrimos mais lugares que apetece mais tarde cá voltar para conhecer com pormenor. Finalmente chegámos a um ponto alto em que nos foi possível avistar a lindíssima Lagoa das Sete Cidades. A seguir esperava-nos uma longa descida, com água salgada (mar) do lado direito e água doce (lagoa) do lado esquerdo. Uma visão incrível. 

 
Percorremos cerca de 90% do diâmetro total da Lagoa das 7 Cidades, desde o topo descendo sempre em redor até às suas margens. Foram quilómetros inesquecíveis e fantásticos. Quase todos os atletas, estando ou não em competição, pararam para tirar fotos e apreciar esta maravilha da natureza. Após tanto divertimento e mais de 1 hora próximo à lagoa, lá seguimos em direção à meta, mas faltavam ainda pouco mais de 30km.

 
 
 
 
Subimos, subimos e subimos para nos afastarmos da Lagoa das Sete Cidades. Parecia que estava em todo o lado, tal é a extensão. Conseguimos avistá-la de praticamente todos os ângulos possíveis. Nesta parte final começávamos a acusar cansaço e não podíamos facilitar, tínhamos de ir ingerindo líquidos e sólidos para nos darem energia até final da etapa.

 A 3/4 da 2.ª etapa atingimos o último abastecimento. Aproveitámos para repor as energias e descansar um pouco, pois a subida até ali foi bastante longa e sofrida. De seguida atirámos-nos para os derradeiros quilómetros, quase sempre a descer até à Ponta Delgada. Primeiro em asfalto e depois em terra batida, sempre a fundo, pena foi ter furado entretanto, mas sem quedas. Despejámos a espuma tapa-furos da única botija que tínhamos e continuámos. A cerca de 25km do final e sempre a descer perdemos por completo o track, pois a Organização só havia fornecido até ao km62, segundo eles devido a erros dos nossos GPS's (pois...) que não conseguiam ler tantos pontos de referência. Encontrámos um outro amigo com problemas na leitura do GPS e juntos fizemos o restante percurso, sempre, sempre a descer, por campos e canaviais até surgirmos junto ao mar por detrás do aeroporto e, dali até à meta por asfalto. 

Chegados ao final já não havia comida para nós, apesar de prometida, porque segundo disse alguém do staff "Tivessem chegado mais cedo!", tão somente 1 e única mangueira disponível para lavagem das bikes. O resto da tarde foram umas comédias. Um corre, corre para ir embalar as bicicletas, por imposição da Organização, pois teriam de ficar armazenadas no contentor ainda no domingo. Valeu-nos (outra vez) a ajuda do João Correia e Pedro Carreira (GCB), que nos deram boleia até ao nosso hotel.

 
 

Na segunda-feira foi dia de passeio. Aproveitámos a deslocação para visitar toda a ilha e desfrutar desta natureza e hospitalidades únicas. No final das contas, foi uma aventura para recordar, com mais fatores positivos do que negativos. Afinal sabíamos que nos esperavam algumas dificuldades, mas quem não treina, sofre! Poderão também ler o resumo desta aventura na revista Freebike, edição n.º 38. Para melhor "entranharem" as sensações de fazer este challenge, visionem o nosso video abaixo. No final das contas... e desde o começo, nunca nos interessou classificação, o importante é pedalar, conhecer novos lugares e fazer novas amizades.


ÁLBUNS FOTOGRÁFICOS


001.º - 00:05:17 - Micael Isidoro/Hernâni Broco
002.º - 00:05:26 - Andrew Henriques/Hernâni Silva
003.º - 00:05:35 - Avelino Santos/Marco Santos
113.º - 00:07:54 - João Guerra/João Valério
192.º - 00:22:48 - Últimos

001.º - 02:57:31 - Andrew Henriques/Hernâni Silva
002.º - 03:04:01 - Nuno Silva/José Rosa
003.º - 03:05:00 - Ricardo Gonçalves/Paulo Pereira
114.º - 05:20:33 - João Guerra/João Valério
182.º - 07:32:15 - Últimos 

001.º - 03:33:39 - Micael Isidoro/Hernâni Broco
002.º - 03:33:41 - Andrew Henriques/Hernâni Silva
003.º - 03:39:52 - Nuno Silva/José Rosa
138.º - 07:13:14 - João Guerra/João Valério
151.º - 07:43:14 - Últimos

001.º - Andrew Henriques/Hernâni Silva
002.º - Micael Isidoro/Hernâni Broco
003.º - Nuno Silva/José Rosa
123.º - João Guerra/João Valério
151.º - Últimos


Créditos à reportagem
Texto: João Valério
Fotos: Ângela Furtado, Jorge Rabaça, João Valério.
Vídeo: Zona 55

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